Esporão no calcanhar, ou esporão calcâneo, é uma pequena projeção de osso que se forma na parte de baixo do calcâneo, o osso do calcanhar, no ponto em que a fáscia plantar se prende. Ele é muito comum e aparece em cerca de uma em cada dez pessoas adultas nas radiografias, a maioria sem nenhuma dor. Quando o calcanhar dói, o motivo costuma ser a inflamação da fáscia, chamada fascite plantar, e não a "pontinha de osso".
Esporão e fascite plantar: qual a diferença
A fáscia plantar é uma faixa espessa de tecido que vai do calcanhar até a base dos dedos e sustenta o arco do pé como a corda de um arco. A cada passo ela é tracionada. Quando a tração é repetida e excessiva, surgem microlesões no ponto onde a fáscia se insere no calcâneo, e o corpo responde com inflamação e dor: é a fascite plantar.
Com o passar de meses ou anos, o organismo deposita cálcio nessa inserção tracionada, formando o esporão. Ele é uma consequência da sobrecarga, não a causa da dor. Por isso é possível ter esporão grande sem dor nenhuma e dor intensa sem esporão algum. O tratamento é dirigido à fáscia e às causas da sobrecarga, e o esporão em geral permanece na radiografia sem incomodar.
Sintomas do esporão no calcanhar
- Dor na parte de baixo do calcanhar, mais para o lado de dentro, como uma fisgada ou "pedrada".
- Dor forte nos primeiros passos da manhã ou depois de ficar sentado por um tempo, que melhora ao caminhar e volta no fim do dia.
- Piora depois de longos períodos em pé, de caminhadas em piso duro ou de treinos de impacto.
- Dor ao apertar o calcanhar com o polegar, no ponto de inserção da fáscia.
- Em alguns casos, sensação de queimação ou formigamento, que exige diferenciar de compressão de nervo.
Causas e fatores de risco
- Encurtamento da panturrilha e do tendão de Aquiles, que aumenta a tração sobre a fáscia.
- Pé plano ou pé cavo, que alteram a distribuição de carga no calcanhar.
- Excesso de peso e aumento rápido de atividade física, como começar a correr sem progressão.
- Profissões que exigem muitas horas em pé, em piso duro.
- Calçados gastos, sem amortecimento ou totalmente rasteiros.
- Idade entre 40 e 60 anos, quando o coxim de gordura do calcanhar começa a afinar.
Como o diagnóstico é feito
A história e o exame físico são suficientes na maior parte dos casos. A médica localiza o ponto doloroso, avalia a flexibilidade da panturrilha, o tipo de pisada e a presença de outras causas de dor no calcanhar. A radiografia em pé mostra o esporão e exclui fraturas por estresse e outras alterações ósseas. O ultrassom mede a espessura da fáscia e confirma a inflamação. A ressonância fica para casos que não melhoram ou quando há suspeita de ruptura da fáscia, tumor ou lesão do nervo.
Nem toda dor no calcanhar é fascite. Outras causas incluem tendinite do tendão de Aquiles, síndrome do túnel do tarso, fratura por estresse do calcâneo e atrofia do coxim gorduroso. O guia sobre as causas de dor no calcanhar ajuda a diferenciar cada uma.
Tratamento do esporão no calcanhar
A boa notícia: mais de nove em cada dez pessoas melhoram sem cirurgia. O tratamento conservador funciona, mas exige constância por algumas semanas a meses.
Primeira linha: o que você pode começar hoje
- Alongamento da panturrilha e da fáscia, várias vezes ao dia, inclusive antes de sair da cama. É a medida com melhor evidência.
- Gelo por 10 a 15 minutos no fim do dia, rolando o pé sobre uma garrafa congelada.
- Calçado adequado: amortecimento no calcanhar, leve elevação do salto e suporte ao arco. Evitar andar descalço em piso frio e duro. Há orientações detalhadas no artigo sobre calçado para quem tem esporão.
- Redução temporária do impacto: trocar corrida por bicicleta ou natação por algumas semanas.
- Anti-inflamatórios por período curto, quando prescritos.
Segunda linha: no consultório
- Palmilhas sob medida ou pré-fabricadas, para corrigir a pisada e aliviar a inserção da fáscia.
- Fisioterapia com fortalecimento da musculatura do pé e liberação da cadeia posterior.
- Tala noturna, que mantém o pé em leve flexão enquanto você dorme e reduz a dor matinal.
- Terapia por ondas de choque, indicada para casos com mais de três meses de dor.
- Infiltração guiada por ultrassom com corticoide, em casos selecionados, para quebrar o ciclo de dor e permitir os exercícios.
Cirurgia: quando tudo o mais falhou
A cirurgia é exceção. Fica reservada a quem mantém dor limitante após seis a doze meses de tratamento conservador bem conduzido. O procedimento mais usado é a liberação parcial da fáscia plantar, que pode ser feita por técnica minimamente invasiva, muitas vezes associada ao alongamento da musculatura da panturrilha. A retirada do esporão em si raramente é necessária.
Recuperação e prevenção de novas crises
A dor costuma diminuir de forma gradual, e é comum ter semanas boas e dias ruins no caminho. Manter os alongamentos mesmo depois da melhora, trocar o tênis quando o amortecimento cede e progredir devagar na atividade física são os pilares para evitar que o problema volte. Pacientes de outras cidades podem conduzir o tratamento com acompanhamento por consulta online com a ortopedista.
Perguntas frequentes sobre esporão no calcanhar
Esporão no calcanhar tem cura?
O esporão, que é o osso, não desaparece com tratamento conservador, mas isso não importa: ele raramente é a causa da dor. A fascite plantar, que é a verdadeira fonte do incômodo na maioria dos casos, melhora em mais de 90 por cento das pessoas com tratamento adequado ao longo de alguns meses.
O que fazer para aliviar a dor do esporão em casa?
Alongar a panturrilha e a planta do pé antes de levantar da cama, rolar o pé sobre uma garrafa gelada por alguns minutos, evitar andar descalço em piso duro e usar calçado com amortecimento e leve salto. Se a dor passar de seis semanas, procure avaliação.
Esporão precisa de cirurgia?
Raramente. A cirurgia fica reservada aos casos em que a dor persiste após pelo menos seis a doze meses de tratamento conservador bem feito, e mesmo então o procedimento costuma atuar na fáscia plantar, não na retirada do esporão.
Infiltração de corticoide no esporão funciona?
Pode aliviar a dor por semanas ou meses e ajuda a pessoa a fazer os exercícios. Deve ser feita com critério, de preferência guiada por ultrassom, porque repetições em excesso podem enfraquecer a fáscia e o coxim gorduroso do calcanhar.