A cirurgia de joanete corrige o desalinhamento do dedão e do primeiro metatarso, devolvendo ao pé a forma e a função. Não existe uma única cirurgia: há dezenas de técnicas, e a escolha depende do grau da deformidade, da presença de artrose, da idade, das atividades e das expectativas de cada pessoa. O que todas têm em comum é o princípio: cortar o osso em pontos estratégicos, realinhá-lo e fixá-lo até que consolide na nova posição.

Quando a cirurgia é indicada

A indicação não é estética. Opera-se o joanete quando ele dói e limita, apesar de calçado adequado, palmilha e fisioterapia; quando a deformidade progride e passa a comprometer os outros dedos; ou quando calçar sapatos comuns virou um problema diário. Um joanete grande e indolor pode ser apenas acompanhado. Se você ainda está na fase de entender o problema, comece pelo guia sobre o que é o joanete e como ele evolui.

Avaliação pré-operatória

Na consulta, a Dra. Gabriella examina a mobilidade do dedão, a flexibilidade da deformidade, os calos e o alinhamento dos dedos vizinhos. As radiografias do pé em carga medem os ângulos que definem o grau e orientam a técnica. Exames de sangue, avaliação cardiológica quando necessária e revisão dos medicamentos em uso completam o preparo. Fumantes são orientados a parar antes da cirurgia, porque o cigarro atrasa a consolidação do osso.

Técnicas cirúrgicas

Cirurgia minimamente invasiva (percutânea)

Por incisões de 2 a 5 milímetros, com brocas finas e controle por radioscopia durante todo o procedimento, o osso é cortado e deslocado para a posição correta e fixado com parafusos específicos. Como não há abertura ampla da pele e dos tecidos, a agressão cirúrgica é menor. Na prática isso costuma significar menos dor nos primeiros dias, menos inchaço, cicatrizes quase imperceptíveis e apoio precoce do pé. A técnica é indicada para a maioria dos joanetes leves, moderados e muitos dos graves, e exige treinamento específico do cirurgião.

Cirurgia aberta (convencional)

Por uma incisão maior na lateral do pé, permite correções amplas, acesso direto à articulação e combinação com outros procedimentos, como a correção de dedos em garra ou a artrodese quando há artrose. Continua sendo a opção mais adequada em deformidades muito graves, em revisões de cirurgias anteriores e em alguns casos de instabilidade do primeiro raio.

Qual técnica é a mais indicada para mim

Depende das radiografias e do exame. Em muitas situações as duas são possíveis, e a escolha leva em conta a preferência do paciente após entender as diferenças. A Dra. Gabriella mostra as imagens e explica o planejamento antes de marcar a cirurgia.

Anestesia e internação

A cirurgia costuma ser feita com bloqueio dos nervos do pé e do tornozelo, associado a sedação, ou com raquianestesia. O bloqueio mantém o pé sem dor por muitas horas depois do procedimento. A maioria dos pacientes recebe alta no mesmo dia ou na manhã seguinte.

Recuperação, semana a semana

PeríodoO que esperar
Dias 1 a 7Pé elevado a maior parte do tempo, gelo, medicação. Apoio com sandália pós-operatória rígida para ir ao banheiro e circular em casa.
Semanas 2 a 3Troca de curativo no consultório. Nas técnicas percutâneas, o curativo ajuda a manter o alinhamento e é feito pela equipe. Início dos exercícios de mobilidade do dedão.
Semanas 4 a 6Radiografia de controle. Inchaço diminuindo. Caminhadas curtas com a sandália. Trabalho sentado já costuma ser possível.
Semanas 6 a 8Transição para tênis largo e macio. Fisioterapia para marcha e força. Dirigir, conforme o pé operado.
3 a 6 mesesRetorno progressivo a esportes. O inchaço residual pode durar alguns meses e é normal.

Pacientes de outras cidades podem fazer parte dos retornos por teleconsulta de acompanhamento pós-operatório, enviando fotos e radiografias.

Riscos e como são reduzidos

Toda cirurgia tem riscos, e a conversa pré-operatória inclui todos eles: infecção, atraso de consolidação, rigidez do dedão, dormência na cicatriz, recidiva da deformidade e, mais raramente, correção excessiva ou trombose. A escolha correta da técnica, o planejamento nas radiografias, a técnica cirúrgica cuidadosa e a adesão às orientações de pós-operatório são as ferramentas para manter esses riscos baixos. A Dra. Gabriella explica os números esperados para o seu caso específico na consulta.

Perguntas frequentes sobre a cirurgia de joanete

A cirurgia de joanete dói?

A cirurgia é feita com anestesia, e o bloqueio dos nervos do pé mantém a região sem dor por muitas horas depois. Nos primeiros dias há desconforto controlado com medicação e com o pé elevado. Nas técnicas minimamente invasivas a dor costuma ser menor por causa da menor agressão aos tecidos.

Quanto tempo fico sem andar depois da cirurgia de joanete?

Na maioria das técnicas atuais o paciente apoia o pé com sandália pós-operatória já no primeiro ou segundo dia, para atividades básicas em casa. Caminhadas longas e calçado fechado ficam para depois da sexta semana, conforme a consolidação.

Posso operar os dois pés ao mesmo tempo?

É possível em casos selecionados, principalmente com técnica minimamente invasiva, mas a recuperação exige mais apoio em casa. Muitos pacientes preferem operar um pé de cada vez, com intervalo de alguns meses. A decisão é individual.

Os parafusos precisam ser retirados?

Em geral não. Os parafusos são pequenos, ficam dentro do osso e não incomodam. A retirada só é considerada se houver proeminência dolorosa ou outra razão específica.

Quando posso dirigir e voltar ao trabalho?

Para trabalho sentado, costuma ser possível retornar em uma a duas semanas, com o pé elevado nos intervalos. Dirigir depende do pé operado e da técnica, em geral entre quatro e seis semanas. Trabalho em pé e esportes levam mais tempo.