Metatarsalgia é a dor na frente do pé, na planta, logo atrás dos dedos, na região das cabeças dos metatarsos, os cinco ossos longos que terminam nos dedos. A pessoa sente como se pisasse em uma pedra ou tivesse uma dobra na meia, e a dor piora ao caminhar, ao ficar na ponta dos pés e com salto alto. Não é uma doença só, e sim um sintoma de sobrecarga que tem várias causas possíveis, e o tratamento depende de encontrar a certa.

O que é metatarsalgia e por que a frente do pé dói

Na fase final de cada passo, todo o peso do corpo passa pelas cabeças dos metatarsos antes de ser lançado pelos dedos. Em um pé bem alinhado, essa carga se distribui entre os cinco ossos, com o primeiro e o quinto recebendo mais. Quando um metatarso é mais longo, mais baixo ou mais rígido que os vizinhos, ou quando os dedos deixam de apoiar o chão, a pressão se concentra em um ou dois pontos, o coxim de gordura que protege a região se desloca e surge dor, inflamação e calo. A dor na frente do pé é uma das localizações da dor no pé que o exame físico diferencia, e a história de como e quando ela aparece já aponta a causa na maioria dos casos.

Sintomas da metatarsalgia

  • Dor na planta do pé, sob a base de um ou mais dedos, em geral o segundo e o terceiro.
  • Sensação de pisar em pedra, caroço ou dobra de meia.
  • Piora ao caminhar descalço em piso duro, ao correr, ao ficar na ponta dos pés e com salto alto ou bico fino.
  • Alívio ao sentar e tirar o sapato.
  • Calo duro sob a cabeça do metatarso sobrecarregado.
  • Inchaço discreto na frente do pé no fim do dia.
  • Em alguns casos, dedo que começa a se levantar ou a se desviar, sinal de lesão da placa plantar, o ligamento sob a articulação do dedo.

Choque, queimação ou dormência que se espalham para os dedos não são típicos da metatarsalgia simples e sugerem irritação de nervo, como no neuroma de Morton entre os dedos, que pode coexistir com a sobrecarga mecânica.

Causas da metatarsalgia

As causas se dividem em três grupos, e muitas pessoas têm mais de uma:

Formato dos ossos

  • Segundo metatarso mais longo que o primeiro, o chamado índice plus, que faz esse osso receber a carga sozinho.
  • Metatarso inclinado para baixo, comum no pé cavo.
  • Primeiro metatarso curto ou elevado, que deixa de fazer a sua parte e transfere o peso para os vizinhos.

Deformidades e lesões

  • Joanete, que tira o dedão da pisada e sobrecarrega o segundo e o terceiro metatarsos.
  • Dedos em garra ou em martelo, que puxam o coxim de gordura para a frente e deixam as cabeças dos metatarsos desprotegidas.
  • Lesão da placa plantar, que desestabiliza o dedo e pode luxá-lo.
  • Fratura por estresse do metatarso, sequelas de fratura antiga e artrose das articulações dos dedos.
  • Doenças inflamatórias, como artrite reumatoide e gota.

Fatores de carga

  • Panturrilha encurtada, que força o pé a apoiar mais na frente.
  • Salto alto e bico fino, que jogam o peso sobre os metatarsos e espremem os dedos.
  • Excesso de peso, corrida em volume alto, trabalho em pé e afinamento do coxim de gordura com a idade.

Como o diagnóstico é feito

O exame físico localiza a dor em cada cabeça de metatarso, avalia a presença de calos, a posição dos dedos, a estabilidade da articulação de cada dedo, o encurtamento da panturrilha e a mobilidade do dedão. A pessoa é observada em pé e caminhando. A radiografia do pé com carga mede o comprimento e a inclinação dos metatarsos e mostra artrose, luxações e fraturas. O ultrassom avalia a placa plantar, as bursas e a presença de neuroma. A ressonância magnética é reservada a dores que não melhoram, suspeita de fratura por estresse ou de lesão da placa plantar com indicação de reparo.

Tratamento da metatarsalgia sem cirurgia

A maioria das pessoas melhora com medidas que redistribuem a pressão na frente do pé. Como a causa é mecânica, o tratamento também precisa ser.

Calçado

É a primeira mudança e a que tem mais efeito. O calçado deve ter biqueira larga, salto de no máximo três centímetros, solado grosso e firme que não dobre na altura dos dedos e, de preferência, ponta curvada para cima, o solado rocker, que faz o pé rolar sem concentrar a carga nos metatarsos. Rasteirinhas, chinelos, tênis minimalistas e sapatos de bico fino concentram a pressão exatamente no ponto que dói.

Palmilha com barra retrocapital

A barra retrocapital, também chamada de apoio ou piloto retrocapital, é uma elevação colocada na palmilha logo atrás das cabeças dos metatarsos. Ela levanta os ossos antes do ponto dolorido, abre o espaço entre eles e transfere o peso para a diáfise, a parte do osso que tolera carga. A posição precisa ser exata: alguns milímetros à frente, e a elevação cai em cima da cabeça do metatarso e piora tudo. Por isso ela é moldada após o exame, como descrito na página sobre palmilha personalizada com barra retrocapital, e combinada com apoio do arco e, se houver, correção do pé plano ou cavo.

Exercícios e fisioterapia

  • Alongamento da panturrilha todos os dias, com o joelho esticado e dobrado.
  • Fortalecimento dos músculos pequenos do pé, como pegar uma toalha com os dedos e abrir e fechar os dedos.
  • Mobilização dos dedos em garra, quando ainda são flexíveis.
  • Redução temporária de corrida e saltos, mantendo o condicionamento sem impacto.

Outras medidas

Remoção periódica dos calos, com proteção sob a região, sabendo que o calo volta se a pressão não for corrigida; a página sobre calo no pé por sobrecarga detalha esse cuidado. Anti-inflamatórios por curto período, com orientação, e gelo nas crises. Infiltração de corticoide com ultrassom em bursites ou sinovites localizadas, com cautela, porque pode enfraquecer a placa plantar. Perda de peso quando indicada.

Almofadas de gel vendidas prontas, coladas no sapato "embaixo de onde dói", costumam ser colocadas no lugar errado e aumentar a pressão sobre o metatarso. A elevação precisa ficar atrás das cabeças dos metatarsos, não sob elas.

Quando a cirurgia é indicada

A cirurgia é considerada quando a dor persiste depois de meses de tratamento bem feito e os exames mostram uma causa estrutural que o calçado e a palmilha não conseguem compensar. As técnicas corrigem a causa:

CausaProcedimento habitualO que busca
Metatarso longo ou baixoOsteotomia de encurtamento ou elevação (Weil ou percutânea)Nivelar o apoio entre os metatarsos
Joanete que sobrecarrega os vizinhosCorreção do hálux valgo, com ou sem osteotomia dos metatarsos menoresDevolver ao dedão a sua parte na pisada
Dedo em garra rígidoCorreção do dedo com artrodese ou tenotomiaRecolocar o coxim de gordura sob o metatarso
Lesão da placa plantarReparo da placa plantarEstabilizar o dedo e evitar a luxação
Panturrilha encurtadaAlongamento do gastrocnêmioReduzir a carga no antepé

Muitas dessas correções são feitas por via percutânea, com incisões de poucos milímetros e apoio imediato em sandália pós-operatória. A recuperação costuma levar de seis a oito semanas até o calçado comum e cerca de três meses até os esportes. Quando a metatarsalgia é consequência do desvio do dedão, a decisão passa pela correção descrita na página sobre joanete e transferência de carga; quando o pé tem arco alto, pela avaliação do pé cavo com metatarsos inclinados.

Perguntas frequentes sobre metatarsalgia

Metatarsalgia tem cura?

A metatarsalgia costuma melhorar com tratamento quando a causa da sobrecarga é identificada e corrigida. Na maioria das pessoas, calçado adequado, palmilha com barra retrocapital e alongamento controlam a dor. Quando existe uma deformidade óssea por trás, como um metatarso longo ou dedos em garra, a cirurgia pode ser necessária para resolver a causa.

O que é a barra retrocapital da palmilha?

É uma elevação colocada na palmilha logo atrás das cabeças dos metatarsos, e não embaixo delas. Ela levanta os ossos um pouco antes do ponto dolorido e transfere a pressão para uma área que tolera melhor o peso. Posicionada no lugar errado, piora a dor, por isso é moldada a partir do exame.

Qual é a diferença entre metatarsalgia e neuroma de Morton?

A metatarsalgia é uma dor mecânica, de pressão, sob um ou mais ossos da frente do pé. O neuroma de Morton é a irritação de um nervo entre os dedos, em geral entre o terceiro e o quarto, e produz choque, queimação e dormência que se espalham para os dedos. As duas podem coexistir, e o exame físico e o ultrassom ajudam a separar.

Qual calçado é indicado para metatarsalgia?

Calçado com biqueira larga, salto de no máximo três centímetros, solado grosso e firme que não dobre na altura dos dedos, de preferência com a ponta curvada para cima. Sapatos de bico fino, salto alto, rasteirinhas e tênis minimalistas concentram a pressão sob os metatarsos.

Quando a metatarsalgia precisa de cirurgia?

Quando a dor persiste apesar de meses de calçado adequado, palmilha e fisioterapia, e os exames mostram uma causa estrutural, como um metatarso longo ou baixo demais, luxação de um dedo ou joanete grave que sobrecarrega os vizinhos. A técnica mais usada encurta ou eleva o metatarso, muitas vezes por via percutânea.