Neuroma de Morton é o espessamento doloroso de um nervo da planta do pé no ponto em que ele passa entre as cabeças dos metatarsos, quase sempre entre o terceiro e o quarto dedos. Apesar do nome, não é um tumor: é uma reação do nervo à compressão e ao atrito repetidos, que forma tecido fibroso ao redor dele. A pessoa sente choque, queimação e dormência que irradiam para os dedos, com a impressão de ter uma meia dobrada ou uma pedra dentro do sapato. É mais comum em mulheres entre quarenta e sessenta anos.

O que é o neuroma de Morton

Os nervos que dão sensibilidade aos dedos correm pela planta do pé e passam, perto da base dos dedos, por baixo de um ligamento firme que une os metatarsos vizinhos, o ligamento intermetatarsal transverso. Nesse túnel estreito, a cada passo, o nervo é comprimido entre o ligamento, por cima, e o chão, por baixo, e esfregado entre as cabeças dos metatarsos, que se movem lateralmente. Com o tempo, a bainha do nervo engrossa, as fibras ficam irritadas e qualquer pressão sobre a região dispara a dor.

O terceiro espaço, entre o terceiro e o quarto dedos, concentra a maioria dos casos porque ali o nervo é mais grosso, resultado da junção de dois ramos, e porque o terceiro e o quarto metatarsos têm mobilidade diferente entre si, o que aumenta o atrito. O segundo espaço é o segundo mais acometido. O formigamento nos dedos é um sintoma que o neuroma compartilha com outras causas nervosas e circulatórias, comparadas na página sobre formigamento no pé e nos dedos.

Sintomas do neuroma de Morton

  • Dor em choque, pontada ou queimação na planta da frente do pé, que irradia para dois dedos vizinhos, em geral o terceiro e o quarto.
  • Dormência ou formigamento nesses dedos, às vezes com sensação de "dedo morto".
  • Sensação de meia dobrada, caroço ou pedra sob a frente do pé, mesmo descalço.
  • Piora com sapato apertado, bico fino e salto alto, e com caminhadas longas.
  • Alívio imediato ao tirar o sapato, parar e massagear a frente do pé.
  • Dor ao apertar a frente do pé de um lado para o outro, com um estalo ou clique perceptível em alguns casos.

Diferente da metatarsalgia simples, que é dor de pressão sob o osso, o neuroma produz sintomas de nervo: choque, queimação e dormência. As duas condições podem coexistir, e a metatarsalgia por sobrecarga dos metatarsos é parte do diagnóstico diferencial em todo paciente com dor na frente do pé.

Causas e fatores de risco

  • Calçados estreitos e saltos altos, que apertam os metatarsos uns contra os outros e jogam o peso sobre a frente do pé. É a principal razão de o neuroma ser mais frequente em mulheres.
  • Formato do pé: pé plano com pronação, que aumenta o movimento entre os metatarsos, e pé cavo, que concentra a pressão na frente.
  • Deformidades como joanete e dedos em garra, que alteram o espaço entre os metatarsos.
  • Esportes com impacto repetido sobre o antepé, como corrida, tênis e dança, e atividades que exigem calçado apertado, como escalada e ciclismo com sapatilha estreita.
  • Bursite intermetatarsal, uma bolsa inflamada entre as cabeças dos metatarsos que comprime o nervo.
  • Trauma direto na frente do pé.

Como o diagnóstico é feito

O diagnóstico é essencialmente clínico. A médica reproduz a dor apertando o espaço entre os metatarsos com o polegar enquanto comprime a frente do pé com a outra mão; o estalo doloroso que aparece nessa manobra, o clique de Mulder, é característico. A sensibilidade dos dedos é testada, e o exame procura também sinais de metatarsalgia, lesão da placa plantar e artrose, que podem acompanhar o neuroma.

O ultrassom é o exame de escolha: mostra o nervo espessado como uma massa ovalada entre os metatarsos, mede o tamanho, identifica bursites associadas e, se necessário, guia a infiltração no mesmo momento. A ressonância magnética é usada quando há dúvida, quando se suspeita de outra lesão ou no planejamento de cirurgia. A radiografia com carga não mostra o neuroma, mas é útil para avaliar o alinhamento dos metatarsos e afastar fraturas por estresse e artrose.

Tratamento do neuroma de Morton sem cirurgia

O primeiro passo é dar espaço ao nervo. Uma parcela importante das pessoas melhora apenas com as medidas abaixo, mantidas por algumas semanas:

  • Calçado largo na frente, com biqueira alta e salto baixo, que deixe os dedos abertos. Tirar os saltos e os bicos finos do uso diário é a mudança com maior efeito.
  • Palmilha com apoio retrocapital, uma elevação logo atrás das cabeças dos metatarsos que as afasta e tira a pressão do nervo. Precisa ser posicionada com exatidão, e o processo está explicado na página sobre palmilhas personalizadas para neuroma de Morton.
  • Redução temporária das atividades de impacto sobre o antepé, com retorno gradual.
  • Fisioterapia com alongamento da panturrilha, mobilização dos metatarsos e fortalecimento do pé.
  • Gelo e anti-inflamatórios por curto período, com orientação, nas crises.

Infiltração guiada por ultrassom

Quando as medidas anteriores não bastam, a infiltração de corticoide e anestésico ao redor do nervo reduz a inflamação e o volume do neuroma. Feita com o ultrassom mostrando a agulha em tempo real, a aplicação atinge o ponto certo, usa dose menor e evita a atrofia da gordura plantar que a injeção "às cegas" pode causar. O procedimento leva poucos minutos e está descrito em detalhe na página sobre infiltração guiada por ultrassom no pé e tornozelo. O alívio dura de semanas a meses, e em parte dos pacientes é duradouro. O número de aplicações é limitado, em geral a duas ou três por ano, para proteger os tecidos ao redor. A infiltração com álcool, que busca "desativar" o nervo, e a ablação por radiofrequência são alternativas usadas em casos específicos.

Queimação na planta do pé que acomete os dois pés de forma simétrica, piora à noite e não depende do calçado sugere neuropatia, por exemplo do diabetes, e não neuroma de Morton. A avaliação diferencia as duas situações, que têm tratamentos distintos. A página sobre queimação no pé aprofunda essas causas.

Cirurgia do neuroma de Morton

A cirurgia é indicada quando os sintomas persistem apesar de calçado, palmilha e infiltração, e limitam caminhar e trabalhar. Há duas abordagens. A neurectomia retira o segmento espessado do nervo por uma incisão pequena no dorso do pé; é a técnica mais usada e a que resolve a dor na maioria dos casos, deixando como sequela esperada uma dormência permanente na pele entre os dois dedos, que a maior parte das pessoas tolera bem. A liberação do ligamento intermetatarsal, com preservação do nervo, abre o túnel sem cortar o nervo e evita a dormência, mas tem indicação mais restrita, em neuromas menores. Ambas podem ser feitas com técnicas minimamente invasivas em casos selecionados.

A recuperação é rápida: apoio com sandália pós-operatória desde o primeiro dia, tênis largo em duas a três semanas, atividades habituais em cerca de seis semanas e esportes de impacto em torno de dois a três meses. O inchaço da frente do pé pode persistir por alguns meses. Pacientes de outras cidades podem conduzir a avaliação inicial e os retornos por teleconsulta especializada em pé, apresentando o ultrassom já realizado.

Perguntas frequentes sobre neuroma de Morton

Neuroma de Morton é um tumor?

Não. Apesar do nome, o neuroma de Morton não é um tumor nem tem relação com câncer. É um espessamento do nervo que passa entre os dedos, formado por tecido fibroso em resposta à compressão e ao atrito repetidos. Ele não se espalha e não oferece risco além da dor.

Neuroma de Morton tem cura?

Muitas pessoas ficam sem sintomas com calçado largo, palmilha e infiltração, e o nervo pode permanecer espessado sem incomodar. Quando a dor persiste, a cirurgia de retirada do neuroma resolve os sintomas na maioria dos casos, deixando em troca uma dormência permanente entre os dois dedos, que costuma ser bem tolerada.

Como é feita a infiltração para neuroma de Morton?

Com o paciente deitado, a médica localiza o neuroma com o ultrassom e introduz uma agulha fina pelo dorso do pé até o espaço ao redor do nervo, aplicando anestésico e corticoide. Leva poucos minutos, é feita no consultório e a pessoa sai andando. O alívio costuma durar de semanas a meses e, em uma parcela dos casos, é prolongado.

Por que o neuroma de Morton aparece entre o terceiro e o quarto dedos?

Porque nesse espaço o nervo é formado pela união de dois ramos, fica mais grosso e menos móvel, e passa por um túnel estreito sob o ligamento que une os metatarsos. O terceiro e o quarto metatarsos também têm mobilidade diferente entre si, o que aumenta o atrito sobre o nervo a cada passo.

Como é a recuperação da cirurgia de neuroma de Morton?

A pessoa apoia o pé com sandália pós-operatória desde o primeiro dia, troca para tênis largo em duas a três semanas e volta às atividades habituais em cerca de seis semanas. Fica uma área de dormência entre os dois dedos, que é esperada. O inchaço na frente do pé pode durar alguns meses.