Queimação nos pés é a sensação de calor, ardência ou "pés pegando fogo" que aparece sem que a pele esteja de fato quente, ou com um calor maior do que a situação explica. Costuma começar na sola e nos dedos, piora à noite e na cama, e alivia por alguns minutos quando a pessoa tira a coberta, pisa no piso frio ou molha os pés. Na maior parte dos casos ela vem de nervos periféricos doentes ou comprimidos, que passam a enviar ao cérebro um sinal de calor falso. Em uma parcela menor, há uma alteração real dos vasos ou da pele.
O que pode ser queimação nos pés
Neuropatia periférica
É a causa mais frequente. As fibras finas dos nervos, responsáveis por transmitir dor e temperatura, são as primeiras a adoecer, e quando adoecem produzem exatamente essa sensação de queimadura. O diabetes é a principal causa de neuropatia, e a queimação nos pés à noite pode ser o primeiro sinal, antes mesmo do diagnóstico, na fase de pré-diabetes. Outras causas de neuropatia de fibras finas: consumo crônico de álcool, falta de vitamina B12, B1 ou B6 (em excesso, a B6 também causa), hipotireoidismo, doença renal, HIV, quimioterapia, doenças autoimunes e, em parte dos casos, nenhuma causa é encontrada.
Quando a queimação vem com formigamento nos pés, perda de sensibilidade ao toque ou sensação de andar sobre algodão, a suspeita de neuropatia fica mais forte.
Compressão de nervos no pé
A síndrome do túnel do tarso, em que o nervo tibial é apertado atrás do tornozelo interno, provoca queimação na sola e no calcanhar, pior à noite e depois de muito tempo em pé. A sobrecarga do antepé, a metatarsalgia, dá ardência sob a base dos dedos ao final do dia, como se houvesse brasa no sapato. O neuroma de Morton produz queimação e choque entre o terceiro e o quarto dedos. Nessas três condições a queimação é em um pé só ou é pior de um lado, e piora com o uso, não só à noite.
Eritromelalgia
É uma condição menos comum em que os pés ficam de fato vermelhos, quentes e inchados em crises, com dor em queimação intensa, desencadeadas por calor, exercício ou ficar em pé. O alívio vem com frio e elevação, e muitos pacientes dormem com os pés para fora da cama ou em bacia de água fria. Pode ser primária ou associada a doenças do sangue, como aumento de plaquetas, e a doenças autoimunes. Pés que ficam visivelmente vermelhos e quentes durante a queimação merecem essa investigação.
Pés quentes na menopausa
A queda dos hormônios altera o controle dos vasos da pele e a regulação da temperatura. Os fogachos nem sempre são no rosto: muitas mulheres relatam calor nos pés à noite, com sudorese, sem dor. Quando é o sintoma isolado e não há formigamento ou perda de sensibilidade, a causa hormonal é provável, mas o diabetes e a tireoide devem ser checados, porque é a mesma faixa de idade.
Outras causas
- Micose entre os dedos e na sola: ardência superficial, com coceira e descamação. O pé de atleta é fácil de confirmar no exame.
- Dermatite de contato por material do calçado, meia sintética ou produto químico: ardência com vermelhidão e, às vezes, bolhas.
- Insuficiência venosa: pés e pernas pesados, inchados e quentes no fim do dia, que melhoram com elevação.
- Doença arterial: paradoxalmente, a má circulação pode dar queimação no pé deitado, aliviada ao pendurar o pé para fora da cama, porque a gravidade ajuda o sangue a chegar.
Por que a queimação nos pés é pior à noite
Três fatores se somam. O primeiro é a atenção: durante o dia o cérebro está ocupado, e à noite a sensação ganha espaço. O segundo é a temperatura: debaixo da coberta a pele dos pés aquece, e nervos doentes amplificam esse calor. O terceiro é a circulação: deitado, o retorno do sangue muda, e na neuropatia os pequenos vasos da pele perdem o controle da dilatação. É por isso que o pé pode estar frio ao toque e, ainda assim, a pessoa sentir que ele está queimando: a sensação é fabricada pelo nervo, não pela pele.
Quando investigar a sensação de pés queimando
| Como é a queimação | Suspeita principal | Primeiros exames |
|---|---|---|
| Nos dois pés, pior à noite, com formigamento ou dormência | Neuropatia periférica | Glicemia de jejum, hemoglobina glicada, vitamina B12, TSH, função renal, eletroneuromiografia |
| Em um pé, na sola ou no calcanhar, pior após ficar em pé | Túnel do tarso ou metatarsalgia | Exame físico da pisada, ultrassom ou ressonância do pé, eletroneuromiografia |
| Pés vermelhos, quentes e inchados em crises, alívio com frio | Eritromelalgia | Hemograma com plaquetas, avaliação reumatológica e vascular |
| Calor nos pés com suor, em mulher entre 45 e 55 anos, sem dormência | Menopausa | Avaliação ginecológica, glicemia e TSH para excluir outras causas |
Queimação nos pés com perda de sensibilidade em pessoa com diabetes é sinal de que os pés precisam de inspeção diária. A mesma neuropatia que causa a queimação impede de sentir uma ferida nascendo.
Procure avaliação quando a queimação durar mais de duas semanas, atrapalhar o sono, vier com formigamento ou dormência, com feridas que não cicatrizam ou com vermelhidão e inchaço visíveis. A consulta com a ortopedista de pé investiga as causas mecânicas e de compressão nervosa e, quando o padrão aponta para neuropatia geral, encaminha para a investigação com endocrinologista ou neurologista.
Tratamento da queimação nos pés
Não há um remédio para queimação em si; há o tratamento de cada causa, e o alívio dos sintomas enquanto a causa é controlada.
- Na neuropatia diabética, o controle da glicemia é a medida que impede a progressão. Medicamentos que atuam na dor neuropática, de classes como anticonvulsivantes e antidepressivos em doses específicas, aliviam a queimação em parte dos pacientes.
- Reposição de vitamina B12 ou de outras vitaminas quando há deficiência comprovada. Suplementar sem exame não ajuda e, no caso da B6, pode piorar.
- No túnel do tarso e na metatarsalgia: calçado largo e com amortecimento, palmilha personalizada para redistribuir a carga ou sustentar o arco, fisioterapia e, em casos selecionados, infiltração guiada por ultrassom ou cirurgia de liberação.
- Medidas simples para as noites: meias de algodão finas ou pés descobertos, quarto fresco, banho morno (não gelado, porque água muito fria pode machucar a pele insensível), e evitar álcool à noite.
Se você está fora de Florianópolis, a investigação pode começar por teleconsulta, com a lista de exames a fazer na sua cidade e a avaliação dos resultados em um segundo encontro.
Perguntas frequentes sobre queimação nos pés
Pés quentes à noite é sinal de quê?
Quando é só calor, sem dor nem formigamento, as causas mais comuns são o aquecimento normal sob a coberta, a menopausa e a insuficiência venosa. Quando o calor vem com ardência, agulhadas ou dormência, o mais provável é uma neuropatia periférica, e o diabetes deve ser investigado.
Queimação nos pés é sempre diabetes?
Não, mas o diabetes é a primeira causa a excluir, porque é frequente e tratável. Álcool, falta de vitamina B12, tireoide, compressão de nervos no pé, micose e menopausa também causam queimação. Em uma parcela das pessoas, mesmo após investigação, não se encontra causa definida.
Por que os pés queimam mas estão frios ao toque?
Porque a sensação é produzida pelo nervo, não pela pele. Na neuropatia, as fibras que transmitem temperatura enviam um sinal de calor sem que haja calor. Já na eritromelalgia o pé fica realmente quente e vermelho durante a crise.
Menopausa pode causar queimação nos pés?
Pode causar sensação de calor e suor nos pés, principalmente à noite, pela alteração hormonal do controle dos vasos. Em geral não há dor nem dormência. Como o diabetes e o hipotireoidismo são comuns na mesma idade, vale medir a glicemia e o TSH antes de atribuir tudo à menopausa.