Lesões do 5º metatarso são as fraturas e sobrecargas do osso longo que forma a borda externa do pé, entre o dedo mínimo e o meio do pé. É o metatarso que mais quebra, porque recebe a carga quando o pé vira para dentro e porque um tendão forte, o fibular curto, se prende na sua base. A fratura do 5 metatarso tem três tipos principais, com nomes parecidos e tratamentos diferentes, e saber qual é o seu define se você vai usar bota por seis semanas ou conversar sobre cirurgia.

Onde fica e por que o 5º metatarso quebra tanto

Passe o dedo pela borda externa do pé, do dedo mínimo em direção ao calcanhar: no meio do caminho há uma saliência óssea. É a base do 5º metatarso. Ali se prende o tendão fibular curto, que puxa o pé para fora, e uma faixa da fáscia plantar. Quando o pé torce para dentro, esse tendão puxa a base com força e pode arrancar um pedaço do osso. É o mesmo movimento da entorse de tornozelo, e por isso tanta fratura da base do 5º metatarso é tratada no começo como "só uma torção".

Um pouco mais à frente, na transição entre a base e o corpo do osso, existe uma zona de circulação pobre, abastecida por vasos que chegam dos dois lados e se encontram mal. Fraturas nessa região consolidam devagar. Essa diferença de irrigação é o motivo de os três tipos terem destinos diferentes.

Os três tipos de fratura do 5º metatarso

Zona 1: fratura por avulsão da base

É a mais comum. O tendão fibular curto arranca a ponta da base durante uma torção. A dor é na saliência da borda externa, há inchaço e dificuldade para apoiar, mas a pessoa costuma conseguir andar mancando. A circulação ali é boa e a fratura consolida bem.

Zona 2: fratura de Jones

Ocorre na junção entre a base e o corpo, cerca de 1,5 a 2 centímetros abaixo da ponta. O mecanismo é diferente: uma força sobre a borda externa do pé com o calcanhar fora do chão, como no corte lateral do futebol e do basquete. É a fratura de Jones, famosa entre atletas pela demora para colar e pelo risco de não consolidação.

Zona 3: fratura por estresse da diáfise

Surge no corpo do osso, logo abaixo da zona de Jones, após semanas de sobrecarga repetida, sem um trauma isolado. Dor na borda externa que começa leve no treino e vai piorando, em corredores, militares e praticantes de esportes de quadra. Quem tem o pé cavo, com o calcanhar virado para dentro, concentra a carga nessa borda e tem risco maior; a página sobre pé cavo explica essa mecânica.

Sintomas: como suspeitar

  • Dor localizada na borda externa do pé, que piora ao apertar a saliência da base.
  • Inchaço e roxo na lateral do pé, podendo descer até o dedo mínimo.
  • Dificuldade ou impossibilidade de apoiar o pé logo após a torção.
  • Na fratura por estresse: dor que aparece no treino, some com repouso e volta cada vez mais cedo.

Depois de uma torção, dor ao apertar a base do 5º metatarso é um dos critérios que justificam radiografia. Dor difusa, sem ponto ósseo doloroso, entra na lista mais ampla de causas de dor no pé e pode ser conduzida de outra forma.

Raio-x da fratura do 5º metatarso

A radiografia do pé em três incidências (frente, perfil e oblíqua) mostra as fraturas agudas e permite medir onde está o traço, o que classifica a zona. Alguns cuidados de leitura: em crianças e adolescentes existe um núcleo de crescimento na base, paralelo ao osso, que parece fratura e não é; o traço de fratura é transverso, o núcleo é longitudinal. Existe também um ossinho acessório, o os vesalianum, que pode confundir. Na fratura por estresse, o raio-x pode ser normal nas primeiras duas a três semanas; se a suspeita é forte, repete-se o exame ou pede-se ressonância magnética. A tomografia é útil para avaliar consolidação em fraturas de Jones que demoram.

Quando a dor é no meio do pé, mais para o dorso, e não na borda, a suspeita muda para a lesão de Lisfranc, que é mais grave e exige exame com carga.

Tratamento das lesões do 5º metatarso

Fratura por avulsão

Na maioria dos casos, tratamento sem cirurgia: bota imobilizadora ou sapato de sola rígida, com apoio conforme a dor, por quatro a seis semanas, seguida de retorno gradual. Fragmentos muito desviados ou que envolvem grande parte da articulação com o cuboide podem ter indicação de fixação.

Fratura de Jones

Aqui a decisão é individual. Em pessoas sedentárias, a bota sem apoio por seis a oito semanas, com controle radiográfico, consolida na maioria dos casos, mas uma parcela evolui para retardo de consolidação. Em atletas, em quem precisa voltar rápido ao trabalho em pé e quando há sinais de cronicidade no raio-x, a fixação com parafuso dentro do canal do osso costuma ser proposta, porque encurta o tempo até a carga e reduz a chance de a fratura não colar. A página sobre placas e parafusos no pé e tornozelo explica o que esperar desse tipo de cirurgia.

Fratura por estresse

Exige retirada de carga por mais tempo, correção do fator de sobrecarga (volume de treino, calçado, formato do pé) e, com frequência, palmilha. Nos casos crônicos, com esclerose do canal no raio-x, a fixação com parafuso e, às vezes, enxerto ósseo são indicadas.

TipoMecanismoTratamento habitualConsolidação
Avulsão da base (zona 1)Torção com o pé para dentroBota ou sapato rígido, apoio conforme dor6 a 8 semanas
Fratura de Jones (zona 2)Carga na borda externa, calcanhar elevadoBota sem apoio ou parafuso, caso a caso8 a 12 semanas ou mais
Estresse da diáfise (zona 3)Sobrecarga repetidaRetirada de carga, palmilha, parafuso se crônica8 a 16 semanas

O erro mais comum. Tratar a fratura de Jones como se fosse avulsão, com apoio precoce e bota curta, é a principal causa de não consolidação. Se o seu raio-x mostra fratura "na base do 5º metatarso", pergunte em qual zona ela está antes de voltar a pisar.

Recuperação e volta à atividade

Depois da consolidação, o pé fica rígido e a panturrilha fraca pelo tempo de bota. Duas a quatro semanas de fisioterapia, com mobilidade, fortalecimento dos fibulares e treino de equilíbrio, reduzem a chance de nova torção. A volta à corrida e aos esportes de quadra é progressiva e costuma ocorrer entre a oitava e a décima segunda semana, dependendo do tipo de fratura. Palmilha com apoio lateral é indicada para quem tem pé cavo ou já fraturou mais de uma vez. Se você torceu o pé, a dor na borda externa passou de uma semana e ninguém pediu radiografia, uma avaliação por teleconsulta permite orientar o exame certo e evitar que uma fratura passe despercebida.

Perguntas frequentes sobre fratura do 5º metatarso

Onde fica o 5º metatarso do pé?

É o osso longo da borda externa do pé, que liga o dedo mínimo ao meio do pé. A base dele forma a saliência óssea que se sente no meio da borda lateral, onde se prende o tendão fibular curto.

Qual a diferença entre fratura de Jones e fratura por avulsão?

A avulsão arranca um fragmento da ponta da base, puxado pelo tendão, em uma torção; tem boa circulação e consolida bem com bota. A fratura de Jones fica um pouco mais à frente, na junção entre a base e o corpo do osso, uma região de circulação pobre, e por isso demora mais e pode não consolidar.

Toda fratura do 5º metatarso aparece no raio-x?

As fraturas agudas aparecem nas três incidências habituais. A fratura por estresse pode não aparecer nas primeiras semanas; nesses casos, repete-se a radiografia em duas a três semanas ou pede-se ressonância magnética.

Quanto tempo leva para o 5º metatarso quebrado colar?

A fratura por avulsão consolida em média em seis a oito semanas. A fratura de Jones tratada sem cirurgia pode levar de oito a doze semanas ou mais; com fixação por parafuso, a carga costuma ser liberada mais cedo, mas a consolidação óssea ainda leva algumas semanas.

Posso andar com fratura do 5º metatarso?

Na avulsão, a maioria pode apoiar com bota ou sapato rígido desde o início, conforme a dor. Na fratura de Jones, o apoio costuma ser restrito nas primeiras semanas, porque a carga precoce aumenta o risco de não consolidação.