Verruga plantar é uma infecção da pele da sola do pé causada pelo papilomavírus humano, o HPV, em geral pelos tipos 1, 2, 4, 27 e 57, que são diferentes dos tipos ligados ao câncer de colo do útero. O vírus entra por pequenas fissuras na pele úmida e faz as células da camada superficial se multiplicarem, formando uma lesão áspera, com pontos pretos, que dói ao andar. No Brasil é conhecida como cravo plantar ou olho de peixe. É comum em crianças, adolescentes e adultos que frequentam piscinas, vestiários e academias, e costuma ser confundida com calo.

O que acontece na pele com verruga plantar

Nas mãos, a verruga cresce para fora, em couve-flor. Na sola, o peso do corpo a comprime a cada passo, e ela cresce para dentro, formando um núcleo profundo coberto por uma camada de pele grossa. É por isso que dói: o núcleo pressiona as terminações nervosas da derme como uma pedra dentro da pele. A camada de calo que se forma por cima é a razão de tantos erros de diagnóstico, e a dúvida entre verruga plantar ou calo é tão frequente que merece uma página própria, com os testes de diferenciação.

Tipos de verruga na sola do pé

TipoComo se apresentaParticularidade
Verruga plantar simples (mirmécia)Lesão única ou poucas, profunda, dolorida, com núcleo e pontos pretosLigada ao HPV tipo 1; a mais dolorosa; mais comum em crianças
Verruga em mosaicoPlaca de várias verrugas rasas agrupadas, como um ladrilhoLigada ao HPV tipo 2; dói menos, mas é mais resistente ao tratamento e recidiva mais

Como se pega verruga plantar: o contágio

O HPV da pele é transmitido por contato direto com a lesão de outra pessoa ou, mais frequentemente, por superfícies contaminadas. O vírus resiste em pisos úmidos de piscinas, chuveiros coletivos, vestiários, tatames e saunas. Para infectar, precisa de uma porta de entrada: pele macerada pela umidade, pequenas rachaduras, bolhas ou cortes. O período entre o contágio e o aparecimento da lesão varia de semanas a vários meses, o que dificulta saber onde se pegou.

Sintomas

  • Lesão áspera e endurecida na sola ou nos dedos, da cor da pele ou amarelada, com superfície granulosa.
  • Pontinhos pretos no centro, visíveis a olho nu ou depois de lixar a camada superficial.
  • Dor ao caminhar, como se houvesse uma pedra dentro do sapato, principalmente nas lesões sobre pontos de apoio.

Como o diagnóstico é feito

O diagnóstico é clínico. O exame da lesão após a raspagem suave da camada superficial, com lâmina estéril, mostra os pontos de sangramento e a perda das linhas da pele. A dermatoscopia, lente com luz polarizada, confirma os capilares característicos. Biópsia só é necessária em lesões atípicas ou resistentes. Parte do exame é avaliar o que mantém a lesão dolorida: a ortopedista observa se a verruga está sobre um ponto de sobrecarga, como a base de um metatarso, e se há calosidade no pé por cima e ao redor, porque isso muda a dor e a resposta ao tratamento.

Tratamento da verruga plantar

Uma parcela das verrugas plantares desaparece sozinha, pela ação do sistema imune, em meses a dois anos, especialmente em crianças. O tratamento é indicado quando a lesão dói, se multiplica, atrapalha a atividade ou quando a pessoa tem risco de transmitir. Nenhum método age diretamente sobre o vírus; todos destroem o tecido infectado e provocam uma reação imune local, por isso é comum precisar de várias sessões e, às vezes, combinar métodos.

Ácido salicílico

É o tratamento de primeira linha. Em concentrações altas, em solução, pomada ou adesivo, ele dissolve a queratina e o tecido infectado camada por camada. O uso é diário, por semanas a alguns meses, com lixamento suave da camada branca antes de cada aplicação e proteção da pele sã ao redor. Funciona em boa parte dos casos quando a pessoa mantém a disciplina. Não deve ser usado por pessoas com diabetes, má circulação ou perda de sensibilidade sem supervisão.

Crioterapia

Aplicação de nitrogênio líquido sobre a lesão, que congela e destrói o tecido. Feita no consultório, em sessões a cada duas a três semanas. Na sola, pela espessura da pele, costuma exigir mais sessões do que nas mãos, e a bolha que se forma pode doer para andar por alguns dias. A combinação de ácido salicílico em casa e crioterapia no consultório é frequente.

Receitas caseiras, como queimar com cigarro, cortar com lâmina ou aplicar produtos de limpeza, causam feridas, infecção e cicatrizes dolorosas na sola, e não eliminam o vírus que ficou na borda. Cicatriz na planta do pé é um problema permanente; a verruga, não.

Reduzir a pressão: a parte ortopédica do tratamento

Verruga sob um ponto de apoio dói mais, forma mais calo por cima e responde pior, porque a pressão constante dificulta a chegada da reação imune e dos medicamentos. Calçado com amortecimento, protetores em anel ao redor da lesão e, quando há sobrecarga definida de um metatarso, palmilha que redistribua a carga aliviam a dor durante o tratamento e evitam a formação de calo no local depois que a verruga some.

Prevenção e cuidados para não espalhar

  • Usar chinelo em vestiários, chuveiros coletivos, bordas de piscina e saunas.
  • Secar bem os pés, inclusive entre os dedos, e trocar meias úmidas. Pele macerada é porta de entrada; o pé de atleta cria as mesmas fissuras.
  • Não cutucar, lixar ou morder verrugas; lavar as mãos depois de tocar a lesão.

Quando é ortopedia e quando é dermatologia

A verruga plantar é uma doença de pele, e o tratamento da infecção pelo HPV é conduzido pelo dermatologista. A ortopedista especialista em pé entra em dois momentos. No diagnóstico, quando a queixa chega como "calo que dói ao pisar" ou "caroço na sola", e o exame mostra que se trata de verruga: a paciente é então encaminhada ao dermatologista, com a avaliação mecânica já feita. E no tratamento, quando a verruga está sobre um ponto de sobrecarga, há deformidade do pé ou calçado inadequado mantendo a dor e o calo: a correção da pisada com palmilha, órtese ou calçado adequado é parte do cuidado e evita que a área volte a formar calo depois que o vírus foi eliminado. Em pessoas com pé diabético, qualquer lesão plantar é avaliada em conjunto, porque ácidos e crioterapia exigem cuidado redobrado. Para quem está fora de Florianópolis, a teleconsulta com envio de fotos permite orientar o primeiro passo.

Perguntas frequentes sobre verruga plantar

O que causa cravo no pé?

O cravo plantar é a verruga plantar, causada pelo vírus HPV dos tipos que infectam a pele. O vírus entra por pequenas fissuras da sola úmida, em geral em piscinas, vestiários e chuveiros coletivos, e faz a pele crescer de forma desordenada, formando a lesão com núcleo e pontos pretos.

Verruga plantar é contagiosa?

Sim. Passa por contato direto com a lesão e por superfícies úmidas contaminadas, e a própria pessoa pode espalhá-la para outras áreas do pé e para as mãos ao cutucar ou lixar. Usar chinelo em áreas coletivas, não compartilhar objetos de uso nos pés e cobrir a lesão reduzem a transmissão.

HPV na sola do pé tem relação com o HPV genital?

Não. São tipos diferentes do mesmo grupo de vírus. Os tipos que causam verruga plantar infectam a pele espessa das mãos e dos pés e não estão ligados ao câncer de colo do útero nem são transmitidos por via sexual. A vacina contra o HPV não protege contra as verrugas plantares.

Qual tratamento funciona para verruga plantar?

Não há um método superior para todos os casos. O ácido salicílico em uso prolongado é a primeira escolha pela segurança; a crioterapia é a alternativa de consultório, e as duas podem ser combinadas. A escolha depende do tamanho, do número de lesões, da idade, da dor e de doenças como diabetes. Lesões resistentes têm outras opções com o dermatologista.