Caroço no pé é qualquer elevação que se sente ou se vê sob a pele, na sola, no peito do pé, nos dedos ou no calcanhar. A boa notícia é que a imensa maioria é benigna: calos, cistos, nódulos da fáscia, bolsas inflamadas e saliências de osso respondem por quase todos os casos. O que muda de um para outro é a causa, o incômodo e o tratamento. Este guia organiza as possibilidades pelo lugar em que o caroço aparece, que é a primeira pergunta que a ortopedista faz no consultório.
Caroço na sola do pé
O caroço embaixo do pé mais típico é um nódulo firme no arco, do tamanho de uma ervilha a uma azeitona, que não se move muito e fica mais evidente quando se puxa os dedos para cima. É a fibromatose plantar, o nódulo na fáscia do pé, um espessamento benigno da faixa que sustenta o arco. Pode ser um só ou vários, aparecer nos dois pés e, em parte das pessoas, ter parente com o mesmo nódulo na palma da mão. No começo não dói; com o crescimento, incomoda ao pisar e no calçado com arco alto.
Outras causas de caroço na sola do pé que dói:
- Calo com núcleo: duro, superficial, amarelado, dói ao apertar de cima para baixo. Fica sob um ponto de apoio, como a base dos dedos.
- Verruga plantar: parece calo, mas tem pontinhos pretos no centro, interrompe as linhas da pele e dói ao ser apertada pelos lados. A comparação está na página verruga plantar ou calo.
- Corpo estranho: farpa, caco de vidro ou espinho que entrou e ficou, formando um caroço dolorido com reação ao redor.
- Sensação de caroço na sola do pé sem caroço visível: pedra no sapato que não existe, meia enrolada sob os dedos. Isso é a descrição clássica do neuroma de Morton, um espessamento do nervo entre os metatarsos, e também aparece na metatarsalgia.
Caroço em cima do pé
No peito do pé, dois tipos de caroço dominam. O primeiro é o cisto sinovial, também chamado de gânglio: uma bolsa cheia de líquido gelatinoso que sai de uma articulação ou de uma bainha de tendão. É macio ou elástico, redondo, às vezes muda de tamanho de um dia para outro e pode doer quando o sapato aperta. O segundo é uma saliência óssea no topo do pé, dura, fixa, que não muda de tamanho. É uma reação do osso a anos de carga ou a uma artrose inicial nas articulações do meio do pé. Incomoda pelo atrito com o cadarço e pode comprimir o nervo que passa por cima, dando formigamento no dedão.
Caroço no dedão do pé e nos outros dedos
O caroço na base do dedão, na parte de dentro do pé, é quase sempre o joanete, o desvio do dedão: não é um caroço que cresceu, é o próprio osso que mudou de posição. Em cima da articulação do dedão, um caroço duro e doloroso ao dobrar o dedo para cima aponta para o hálux rígido, a artrose do dedão, em que o osso forma uma crista dorsal. Na lateral do dedinho, o equivalente é o joanete de alfaiate. Nos dedos do meio, caroços duros em cima das juntas são calos sobre dedos em garra ou em martelo. Um caroço mole e avermelhado ao lado da unha do dedão costuma ser a reação a uma unha encravada.
Caroço no calcanhar
Atrás do calcanhar, na altura em que o tênis encosta, um calombo duro é a deformidade de Haglund, um aumento do osso do calcâneo que atrita com o tendão de Aquiles e com o contraforte do calçado. Costuma vir com a tendinite do tendão de Aquiles e com uma bolsa inflamada por cima. Um caroço no próprio tendão, alguns centímetros acima do calcanhar, é um espessamento do tendão por tendinopatia. Já o esporão de calcanhar, que muitas pessoas imaginam como um caroço, não se sente pela pele: é uma projeção óssea na sola que aparece só na radiografia e cuja dor vem da fáscia, não do osso.
Na lateral ou na sola do calcanhar, caroços macios que aparecem só quando a pessoa fica em pé e somem ao tirar o peso são hérnias de gordura, chamadas de piezogênicas: a gordura do coxim escapa por pequenas falhas da fáscia. São comuns, benignas e em geral indolores.
Resumo por lugar e característica
| Onde | Como é | O que costuma ser |
|---|---|---|
| Arco da sola | Firme, fixo, cresce devagar | Fibromatose plantar |
| Sola, sob os dedos | Duro, superficial, amarelado | Calo ou verruga plantar |
| Peito do pé | Elástico, muda de tamanho | Cisto sinovial |
| Peito do pé | Duro, não muda | Saliência óssea, artrose do médio pé |
| Base do dedão, lado de dentro | Duro, com dedão torto | Joanete |
| Atrás do calcanhar | Duro, atrita no tênis | Deformidade de Haglund |
Quando o caroço no pé precisa de avaliação
Caroço pequeno, estável há meses, indolor e que não atrapalha pode ser só observado. Procure avaliação quando o caroço:
- Dói ao pisar ou impede de usar os calçados habituais.
- Cresceu de forma perceptível em poucas semanas.
- Ficou vermelho, quente ou com saída de secreção.
- Apareceu depois de um ferimento perfurante ou em pessoa com diabetes.
- Vem com formigamento, dormência ou perda de força nos dedos.
Fotos de caroço no pé encontradas na internet ajudam pouco: calo, verruga, cisto e nódulo podem parecer iguais na imagem. O que diferencia é o toque, a mobilidade, a dor à compressão e, quando preciso, o ultrassom.
Na consulta, a ortopedista examina a consistência, a mobilidade e a relação do caroço com osso, tendão e nervo, avalia a pisada e o calçado, e pede radiografia quando a suspeita é óssea ou ultrassom quando é de partes moles. A ressonância fica para nódulos maiores ou de comportamento incomum. Os diagnósticos específicos, os sinais de alerta e como cada um é tratado estão detalhados na página sobre nódulo no pé, escrita com foco clínico. Quem mora longe pode iniciar por teleconsulta, enviando fotos e descrevendo o caroço; a necessidade de exame presencial é definida nessa primeira conversa.
Perguntas frequentes sobre caroço no pé
Carocinho no pé que dói ao pisar: o que pode ser?
Na sola, os candidatos são calo com núcleo, verruga plantar, nódulo de fibromatose plantar e corpo estranho. A localização e o teste de compressão (de cima para baixo ou pelos lados) ajudam a diferenciar. Se o caroço está sob a base dos dedos e dá choque, pode ser neuroma de Morton.
Caroço no pé pode ser câncer?
É raro. Tumores malignos de partes moles no pé existem, mas representam uma parcela muito pequena dos caroços. Os sinais que pedem investigação mais rápida são crescimento rápido, tamanho acima de cinco centímetros, caroço profundo e fixo, dor noturna e retorno após remoção.
Caroço embaixo do pé some sozinho?
Depende do que é. Cisto sinovial pode esvaziar e voltar. Calo some quando a pressão é removida. Fibromatose plantar costuma ficar estável ou crescer devagar, e raramente desaparece sem tratamento. Corpo estranho não sai sozinho e precisa ser retirado.
Calombo no pé em cima: devo estourar o cisto?
Não. Furar ou bater no cisto sinovial em casa pode infeccionar e lesar a articulação ou o tendão de onde ele sai, e o cisto tende a voltar porque a comunicação continua aberta. Quando incomoda, a punção guiada por ultrassom ou a retirada cirúrgica são feitas com segurança no consultório ou no centro cirúrgico.
Caroço no calcanhar que dói ao usar tênis é esporão?
Em geral não. O esporão fica na sola e não forma caroço palpável. O calombo atrás do calcanhar que dói no contraforte do tênis costuma ser a deformidade de Haglund, com inflamação da bolsa e do tendão de Aquiles. A radiografia de perfil diferencia os dois.