Placas e parafusos no pé e tornozelo são implantes metálicos usados para manter o osso na posição correta enquanto ele consolida, seja depois de uma fratura, seja depois de uma cirurgia que corta e realinha o osso de propósito, como a de joanete. Eles funcionam como um andaime interno: seguram as partes no lugar, permitem que a pessoa mova e apoie o membro mais cedo e, quando o osso já está firme, deixam de ter função. A maioria fica no corpo para sempre sem causar nenhum problema.
Por que placas e parafusos são usados
Nem toda fratura precisa de cirurgia. Quando os fragmentos estão alinhados e estáveis, o gesso ou a bota bastam. A fixação interna é indicada quando o osso está desviado, quando a fratura é instável, quando envolve a superfície da articulação ou quando o tempo de imobilização causaria mais prejuízo do que a cirurgia. No tornozelo, isso é comum nas fraturas dos maléolos, os ossos salientes de cada lado. No pé, nas fraturas do calcâneo, dos metatarsos e nas lesões da região de Lisfranc, no meio do pé.
O segundo grande uso é nas cirurgias planejadas. Na correção do joanete, na artrodese, que é a fusão de uma articulação desgastada, e nas osteotomias de realinhamento do pé cavo ou plano, o osso é cortado e precisa ser fixado na nova posição até consolidar. Quando um implante incomoda depois de cumprir seu papel, a solução é descrita na página sobre retirada de placa e parafuso no tornozelo, indicações e recuperação.
Materiais: titânio ou aço
Os dois metais usados em ortopedia são o titânio, puro ou em liga, e o aço inoxidável cirúrgico. Ambos são biocompatíveis, isto é, tolerados pelo organismo, e não enferrujam dentro do corpo. A tabela compara os dois.
| Característica | Titânio | Aço cirúrgico |
|---|---|---|
| Peso e rigidez | Mais leve e um pouco mais flexível, próximo do osso | Mais pesado e mais rígido |
| Níquel | Praticamente ausente, indicado para quem tem alergia conhecida | Contém níquel em pequena quantidade |
| Ressonância magnética | Pouca sombra na imagem | Sombra maior perto do implante |
| Detector de metais | Raramente dispara | Pode disparar em implantes grandes |
| Integração com o osso | Maior; pode dificultar a retirada anos depois | Menor; retirada em geral mais simples |
Existem ainda implantes bioabsorvíveis, que o corpo desfaz ao longo de meses, e botões com fio de alta resistência usados em algumas lesões da sindesmose, a ligação entre a tíbia e a fíbula.
Tipos de implante e onde cada um é usado
Parafusos no tornozelo
Nas fraturas do maléolo medial, o de dentro, dois parafusos costumam ser suficientes. No maléolo lateral, a fíbula, o mais comum é uma placa fina moldada ao osso, fixada por parafusos. Quando a ligação entre tíbia e fíbula se rompe, acrescenta-se o parafuso de sindesmose, que atravessa os dois ossos e, em muitos protocolos, é retirado ou se rompe espontaneamente depois de alguns meses, o que é esperado e não indica falha.
Parafusos na perna
Nas fraturas da tíbia, o osso principal da perna, o implante mais usado é a haste intramedular, uma barra inserida por dentro do canal do osso e travada nas extremidades por parafusos que atravessam a tíbia de lado a lado. São esses "parafusos na perna" que a pessoa sente perto do joelho e acima do tornozelo. Fraturas da parte baixa da tíbia, perto da articulação, recebem placas específicas, e a fíbula pode ser fixada junto.
Parafusos e placas no pé
Na cirurgia de joanete usam-se parafusos pequenos, muitas vezes sem cabeça, que ficam inteiramente dentro do osso. Nas fraturas do quinto metatarso, o osso da borda externa do pé, um só parafuso pelo canal do osso é a fixação mais frequente. As lesões de Lisfranc recebem parafusos ou placas que atravessam as articulações do meio do pé, e as artrodeses do retropé usam parafusos longos e grossos. Fios metálicos finos, os fios de Kirschner, são fixações temporárias para os dedos e saem no consultório após algumas semanas.
Consolidação: o que o implante faz e o que o osso faz
A placa não "cola" o osso. Ela só o mantém parado na posição certa. Quem consolida é o próprio osso, formando um calo ósseo que atravessa a linha da fratura em seis a doze semanas, dependendo do osso, da idade, do tabagismo e de doenças como o diabetes. Durante esse período, o apoio é liberado de forma progressiva conforme as radiografias. Depois da consolidação, o osso volta a ser quem sustenta o corpo, e o metal se torna um passageiro inerte.
Algumas sensações são normais e não indicam problema: sentir o relevo da placa sob a pele, notar a área mais sensível ao frio, perceber dormência leve ao redor da cicatriz e ter desconforto em dias úmidos. O que não é normal: dor nova e crescente meses depois, inchaço que não cede, vermelhidão, calor ou secreção. A página sobre tornozelo inchado depois de fratura ou cirurgia detalha o que investigar nesses casos. Em fraturas do tornozelo tratadas com cirurgia, a recuperação completa é descrita no artigo sobre o que esperar depois de quebrar o tornozelo.
Dúvidas do dia a dia com implantes no pé e tornozelo
Detector de metais em aeroportos
Parafusos pequenos e placas de titânio em geral não disparam o alarme dos pórticos. Placas grandes, hastes de tíbia e implantes de aço podem disparar. Não existe exigência legal de carteira para viajar, mas um relatório médico curto, com o tipo de implante e o local, torna a inspeção mais rápida.
Ressonância magnética e tomografia
Os implantes ortopédicos de titânio e aço cirúrgico não impedem a ressonância. Eles não são atraídos pelo ímã do aparelho e não esquentam de forma relevante. O que acontece é um artefato, uma sombra na imagem ao redor do metal, maior no aço do que no titânio, que pode atrapalhar a avaliação das estruturas bem próximas. Avise sempre a equipe do exame, que escolhe sequências que reduzem essa sombra. A tomografia também é possível e é o exame mais usado para avaliar a consolidação ao redor de implantes.
Quando considerar a retirada do material
A retirada é indicada por sintoma, não por tempo. Os motivos mais comuns são proeminência dolorosa do implante sob a pele fina do tornozelo, irritação dos tendões que passam sobre a placa, parafuso que se soltou ou quebrou e passou a incomodar, infecção relacionada ao material e necessidade de espaço para outra cirurgia. Em crianças e adolescentes, a retirada costuma ser programada por causa do crescimento. Fora dessas situações, deixar o implante é a conduta mais segura. A decisão é tomada com radiografias recentes que confirmem a consolidação, em geral depois de um ano da cirurgia original.
Problemas que podem envolver o implante
- Soltura. Parafuso que perde a fixação no osso, mais comum em osso frágil ou quando o apoio foi feito antes da hora.
- Quebra do implante. Acontece quando o osso demora a consolidar e o metal, que não foi feito para sustentar carga para sempre, fadiga. É sinal de problema na consolidação, não do material em si.
- Infecção. Rara, mas mais difícil de tratar quando há metal; às vezes exige retirada.
- Irritação de partes moles. Tendões, pele e bolsas sinoviais em atrito com a placa.
- Sensibilidade ao metal. Incomum; se suspeitada, é investigada e o implante pode ser trocado por titânio.
Quem está com dúvida sobre o próprio implante, seja porque sente algo diferente, seja porque quer entender uma radiografia, pode enviar os exames e conversar por teleconsulta com a cirurgiã de pé e tornozelo. Lesões do meio do pé, que exigem fixação precisa, têm página própria sobre a lesão de Lisfranc e seu tratamento.
Em uma frase. Placas e parafusos seguram o osso enquanto ele consolida; depois disso, ficam quietos. Só saem quando incomodam, e "rejeição" é um nome popular para problemas que têm outras causas e outras soluções.
Perguntas frequentes sobre placas e parafusos no pé e tornozelo
Placa e parafuso no tornozelo apitam no detector de metais?
Depende do tamanho do implante e da sensibilidade do aparelho. Parafusos pequenos e placas de titânio raramente disparam o alarme; placas grandes e hastes de aço podem disparar. Não é preciso nenhum documento especial para viajar, mas um relatório médico simples facilita a explicação na inspeção.
Quem tem parafusos no tornozelo pode fazer ressonância magnética?
Pode. Os implantes ortopédicos modernos de titânio e aço cirúrgico não são atraídos pelo ímã do aparelho. O metal pode gerar uma sombra na imagem perto do implante, e por isso é importante avisar a equipe do exame, que ajusta a técnica.
Os parafusos precisam ser retirados depois que o osso cola?
Em geral não. Depois da consolidação o material deixa de ter função, mas também deixa de ter importância: fica inerte dentro do osso. A retirada só é considerada quando o implante incomoda, irrita um tendão, se solta ou atrapalha outra cirurgia.
Titânio ou aço: qual é melhor para o tornozelo?
Os dois funcionam bem e a escolha depende do tipo de fratura, da placa disponível e da preferência do cirurgião. O titânio é mais leve, mais flexível, gera menos artefato na ressonância e praticamente não contém níquel. O aço é mais rígido. Nenhum dos dois enferruja dentro do corpo.