Nódulo no pé é uma massa localizada, palpável, formada por tecido anormal sob a pele: fibrose, líquido, gordura, nervo espessado ou, raramente, células tumorais. Diferente do caroço de pele, como o calo, o nódulo está nas partes moles, entre a pele e o osso. A grande maioria dos nódulos do pé é benigna, mas cada tipo tem comportamento, exame de escolha e tratamento próprios, e alguns poucos sinais indicam a necessidade de investigação mais rápida. Esta página descreve como a ortopedista raciocina diante de um nódulo.

Os nódulos mais comuns no pé

Fibromatose plantar (doença de Ledderhose)

É o nódulo clássico do arco do pé. A fibromatose plantar é uma proliferação benigna de fibroblastos dentro da fáscia plantar, a mesma família de doença da contratura de Dupuytren na mão. Forma um ou mais nódulos firmes, aderidos à fáscia, que se tornam mais salientes quando se estende o dedão. Cresce devagar, pode ser bilateral e tem componente genético. Não se transforma em câncer, mas pode invadir a pele e a musculatura adjacente se crescer muito. O ultrassom mostra um espessamento fusiforme da fáscia, e a ressonância define a extensão quando se cogita cirurgia.

Cisto sinovial (gânglio)

É o nódulo mais frequente do dorso do pé e do tornozelo. Trata-se de uma bolsa de líquido sinovial espesso que se forma a partir da cápsula de uma articulação ou da bainha de um tendão, ligada a ela por um pedículo. É elástico, bem delimitado, às vezes transilumina com lanterna e pode mudar de tamanho conforme a atividade. Cistos em cima do pé costumam sair das articulações do médio pé; cistos ao lado do tornozelo, das articulações ou dos tendões fibulares e tibial posterior; cistos no calcanhar, mais raros, podem vir do próprio osso ou da inserção do tendão de Aquiles. Quando comprime um nervo, causa formigamento. O ultrassom confirma o conteúdo líquido e a origem.

Lipoma

Nódulo de gordura, macio, móvel, indolor, de crescimento lento, em geral no dorso do pé ou no tornozelo. É raro na sola, onde a gordura é compartimentada. Lipomas superficiais pequenos são apenas acompanhados; os que crescem, doem ou estão profundos merecem ressonância para confirmar que são só gordura, porque o lipossarcoma, embora raro, pode imitar um lipoma.

Neuroma de Morton e outros nódulos de nervo

O neuroma de Morton não é um tumor verdadeiro: é a fibrose ao redor do nervo digital plantar comprimido entre os metatarsos. Raramente é palpável; manifesta-se por dor em choque, queimação e sensação de pedra no sapato, com um estalo característico ao apertar o antepé de lado a lado (sinal de Mulder). Nódulos verdadeiros de nervo, como o schwannoma, são móveis para os lados mas não ao longo do nervo, e dão choque quando percutidos.

Tumor de células gigantes da bainha tendínea

Segundo nódulo mais comum de partes moles na mão e no pé, depois do cisto sinovial. É firme, de crescimento lento, aderido a um tendão, geralmente nos dedos ou no dorso do pé, e não contém líquido. Benigno, mas com tendência a recidivar se a retirada for incompleta, por isso a remoção é planejada com ressonância.

Nódulos inflamatórios e metabólicos

  • Tofo gotoso: depósito de cristais de ácido úrico, firme, esbranquiçado sob a pele, próximo a articulações, em pessoas com gota de longa data. Pode ulcerar e eliminar material branco pastoso.
  • Nódulo de tendão: espessamento localizado em tendões com tendinopatia crônica, como o de Aquiles ou os fibulares. A tenossinovite dos tendões do pé também pode produzir abaulamento alongado ao longo do tendão.

Como o nódulo é avaliado no consultório

CaracterísticaSugerePreocupa quando
ConsistênciaElástica: cisto. Firme e aderida à fáscia: fibromatose. Macia e móvel: lipoma. Pétrea: ossoFirme, heterogênea, sem plano de separação
MobilidadeMóvel sobre os planos profundos: lesão superficial benignaFixa ao osso ou aos músculos
TamanhoAté 2 a 3 cm: a maioria dos nódulos benignosAcima de 5 cm
CrescimentoEstável por meses ou anosAumento perceptível em semanas
DorDor por atrito ou compressão, ligada ao calçadoDor noturna, em repouso, progressiva

Depois do exame físico, o ultrassom é o primeiro exame para nódulos de partes moles: distingue líquido de tecido sólido, mede, mostra a vascularização e localiza a relação com tendões e nervos. A radiografia é pedida quando se suspeita de origem óssea ou de calcificação. A ressonância magnética é reservada aos nódulos sólidos maiores, profundos, de crescimento rápido ou de aparência atípica, e ao planejamento cirúrgico. A biópsia é indicada quando a imagem não afasta um tumor; no pé ela deve ser planejada por quem fará a retirada da lesão, para que o trajeto da agulha possa ser removido junto com a lesão, se necessário.

Sinais de alerta no nódulo do pé

Nódulo maior que cinco centímetros, profundo, fixo, de crescimento rápido, com dor noturna, que reapareceu após remoção ou que surgiu em pessoa com histórico de câncer deve ser investigado com ressonância e, se indicado, biópsia, sem esperar. Sarcomas de partes moles no pé são raros, mas o atraso no diagnóstico é a principal causa de cirurgias maiores do que seria necessário.

Também pedem avaliação próxima: nódulo com vermelhidão, calor e febre (abscesso ou artrite séptica), nódulo com secreção (tofo, corpo estranho, fístula) e nódulo que comprime nervo e causa dormência progressiva.

Tratamento conforme o diagnóstico

  • Fibromatose plantar: palmilha com alívio sobre o nódulo e alongamento da fáscia em casos leves; infiltração guiada por ultrassom em nódulos dolorosos; cirurgia de fasciectomia apenas em casos selecionados, por causa do risco de recidiva e de complicações da ferida na sola.
  • Cisto sinovial: observação se indolor; punção com aspiração do conteúdo e infiltração guiada por ultrassom quando incomoda, sabendo que pode recidivar; excisão cirúrgica com remoção do pedículo nos recorrentes ou que comprimem nervo.
  • Lipoma e tumor de células gigantes: excisão quando sintomáticos ou em crescimento, com envio do material para análise anatomopatológica.
  • Neuroma de Morton: calçado largo, palmilha, infiltração e, se necessário, neurectomia ou liberação do ligamento intermetatarsal.
  • Nódulos ósseos: adaptação do calçado e, nos sintomáticos, ressecção da saliência, muitas vezes junto com a correção da deformidade que a originou.

Todo material retirado em cirurgia é enviado para exame anatomopatológico, mesmo quando o aspecto é típico de lesão benigna. Para a avaliação inicial de pacientes de outras cidades, a teleconsulta permite revisar ultrassom e ressonância já realizados e definir se há indicação de exame presencial ou de procedimento. Para uma visão prática e organizada por localização do caroço, consulte também a página caroço no pé: o que pode ser.

Perguntas frequentes sobre nódulo no pé

Cisto no pé é perigoso?

O cisto sinovial é benigno e não se transforma em tumor. O incômodo vem do tamanho, do atrito com o calçado e da compressão de nervos vizinhos. Ele pode esvaziar e voltar sozinho. A retirada é indicada quando dói, cresce ou causa formigamento, e deve incluir o pedículo para reduzir a recidiva.

Fibromatose plantar pode virar câncer?

Não. A fibromatose plantar é uma proliferação benigna de tecido fibroso e não sofre transformação maligna. Ela pode, porém, crescer e infiltrar tecidos vizinhos, e tem alta taxa de retorno após cirurgia, motivo pelo qual a operação é reservada a casos com dor importante e falha do tratamento conservador.

Qual exame identifica o tipo de nódulo no pé?

O ultrassom é o primeiro, porque diferencia cisto de nódulo sólido, mede e mostra a relação com tendões e nervos. A radiografia avalia origem óssea. A ressonância é usada em nódulos sólidos maiores, profundos ou atípicos. O diagnóstico conclusivo de um nódulo sólido só é dado pelo exame anatomopatológico.

Nódulo no pé que dói à noite é sinal de alerta?

Sim. Dor noturna ou em repouso, que não depende de pisar ou de calçado, é um dos critérios que levam à investigação com ressonância, junto com crescimento rápido, tamanho acima de cinco centímetros e localização profunda. Na maioria das vezes a causa ainda é benigna, mas o exame não deve ser adiado.