Dor no arco do pé é o desconforto sentido na curva interna da planta, entre o calcanhar e a base dos dedos, a região que não toca o chão em um pé de formato comum. O arco funciona como uma mola: achata ao receber o peso e volta à forma para impulsionar o passo. Quando a mola é exigida além do que aguenta, ou quando as estruturas que a sustentam enfraquecem, surge a dor. As causas mais frequentes são fascite plantar, tendinite do tibial posterior, síndrome do túnel do tarso e as alterações de formato do pé, o pé plano e o pé cavo.

O que sustenta o arco do pé

Três estruturas trabalham juntas. A fáscia plantar, uma faixa fibrosa que vai do calcanhar aos dedos, funciona como a corda de um arco e impede que ele abra. O tendão tibial posterior, que desce por trás do osso interno do tornozelo e se prende no meio do pé, puxa o arco para cima a cada passo. Os ligamentos do mediopé, em especial o ligamento mola, mantêm os ossos encaixados. Quando uma dessas três falha, as outras são sobrecarregadas, e a dor pode mudar de lugar com o tempo.

As cinco causas mais comuns

1. Fascite plantar

É a causa número um. A fáscia inflama e desenvolve microlesões na sua origem no calcanhar e ao longo do arco. A dor é típica: forte nos primeiros passos de manhã e ao levantar depois de ficar sentado, melhora após alguns minutos de caminhada e volta no fim do dia. Ao apertar a borda interna do calcanhar e esticar os dedos para cima, dói. O guia sobre fascite plantar, causas e tratamento explica a condição em profundidade.

2. Tendinite do tibial posterior

Quando o tendão que sustenta o arco por dentro inflama ou se degenera, a dor aparece no lado interno do tornozelo e do arco, piora ao ficar na ponta de um pé só e ao caminhar em terreno irregular. Com o tempo, o arco pode começar a ceder só do lado afetado, e o calcanhar vira para fora. É a principal causa de pé plano adquirido no adulto, mais comum em mulheres acima dos 40 anos, pessoas com sobrepeso e diabete. A página sobre a tenossinovite do tibial posterior descreve os estágios e o tratamento.

3. Síndrome do túnel do tarso

O nervo tibial passa por um canal estreito atrás do osso interno do tornozelo. Quando é comprimido ali, por inchaço, cisto, varizes, pé plano ou sequela de entorse, a dor no arco vem em queimação, choque ou formigamento, irradia para a planta e para os dedos e piora à noite ou após ficar muito tempo em pé. Bater de leve atrás do tornozelo pode provocar o choque. A diferença para a fascite está no caráter da dor: a fascite dói ao pisar; o túnel do tarso dói, queima e formiga mesmo em repouso. Os sintomas de nervo estão detalhados na página sobre queimação no pé.

4. Pé plano

No pé plano, o arco é baixo ou desaparece quando a pessoa fica em pé. A fáscia e o tibial posterior são esticados além do normal a cada passo, e o resultado é dor no arco e no lado interno, cansaço precoce nas pernas e desgaste irregular dos calçados. Em crianças o pé plano flexível costuma ser indolor e não precisa de tratamento; em adolescentes e adultos, a dor é o que indica a avaliação.

5. Pé cavo

O oposto também dói. No pé cavo, o arco é alto e rígido, o peso se concentra no calcanhar e na frente do pé, e a fáscia fica permanentemente tensa. A dor no arco vem da tração constante da fáscia, de calosidades sob o antepé e de entorses de repetição, porque o calcanhar fica virado para dentro. Pé cavo que surge ou piora na vida adulta merece investigar causas neurológicas.

Outras causas menos frequentes

  • Fibromatose plantar: nódulos firmes na fáscia, no meio do arco, que doem ao apoiar e crescem devagar.
  • Lesão do ligamento mola: após torção com o pé para fora, com dor interna e queda do arco.
  • Fratura por estresse do navicular: dor vaga no topo e no meio do pé em corredores e saltadores, que piora com o impacto.
  • Artrose do mediopé: dor profunda ao caminhar, com saliências ósseas no dorso, em pessoas mais velhas ou com fratura antiga.
  • Câimbras e fadiga muscular: dor em aperto no arco após esforço, comum em quem começou a treinar descalço ou com calçado minimalista.

Como diferenciar pela característica da dor

CaracterísticaCausa mais provável
Pior nos primeiros passos da manhãFascite plantar
Lado interno, pior na ponta dos pés, arco cedendoTendinite do tibial posterior
Queimação, formigamento, pior à noiteSíndrome do túnel do tarso
Cansaço e dor no fim do dia, arco baixoPé plano com sobrecarga
Arco alto, calos no antepé, torções frequentesPé cavo
Caroço palpável no meio do arcoFibromatose plantar

Como o diagnóstico é feito

O exame físico começa pela observação do pé em pé e caminhando: altura do arco, posição do calcanhar, capacidade de ficar na ponta de um pé só e desgaste do calçado. Depois vêm a palpação da fáscia, do trajeto do tibial posterior e do túnel do tarso, os testes de força e de sensibilidade e a avaliação da flexibilidade da panturrilha, cujo encurtamento sobrecarrega o arco.

A radiografia com carga mede os ângulos do arco e mostra artrose, esporão e fraturas. O ultrassom avalia a espessura da fáscia, o tendão tibial posterior e cistos no túnel do tarso. A ressonância é usada quando há suspeita de fratura por estresse, lesão ligamentar ou quando a dor persiste sem explicação. A eletroneuromiografia confirma a compressão do nervo quando o quadro sugere túnel do tarso.

Tratamento da dor no arco do pé

O tratamento depende da causa, mas quase sempre começa de forma conservadora:

  • Alongamento da panturrilha e da fáscia plantar, duas a três vezes ao dia, é a medida mais eficaz na fascite e ajuda em todas as outras.
  • Fortalecimento da musculatura do pé e do tibial posterior, com exercícios de ponta de pé e de "encurtar" o pé contra o chão.
  • Calçado com contraforte firme, solado que não dobra no meio e leve salto; evitar andar descalço em piso duro durante a crise.
  • Palmilhas que sustentam o arco no pé plano, amortecem no pé cavo e aliviam a fáscia na fascite. As palmilhas personalizadas são feitas a partir da avaliação da pisada quando a palmilha pronta não resolve.
  • Gelo e analgésicos nas fases de dor aguda; anti-inflamatório por poucos dias, se não houver contraindicação.
  • Fisioterapia com terapia manual, ondas de choque na fascite crônica e programa de carga progressiva nas tendinites.
  • Imobilização com bota por algumas semanas nas tendinites do tibial posterior em fase inflamatória e nas fraturas por estresse.
  • Infiltração guiada por ultrassom em casos selecionados de fascite resistente e de túnel do tarso.

A cirurgia fica reservada aos casos que não respondem: liberação do túnel do tarso, reconstrução do tibial posterior com correção do pé plano, osteotomias no pé cavo doloroso e ressecção de nódulos de fibromatose que impedem o apoio.

Palmilha errada pode piorar a dor. Um suporte de arco alto e rígido em um pé cavo cria um novo ponto de pressão exatamente onde já dói. A palmilha deve ser escolhida depois do diagnóstico, não antes.

Quem está longe de Florianópolis pode enviar fotos do pé em pé, vídeo da marcha e exames para uma avaliação inicial por teleconsulta, que define a suspeita e orienta os próximos passos.

Perguntas frequentes sobre dor no arco do pé

Dor no arco do pé é fascite plantar?

Muitas vezes sim, principalmente quando a dor começa no calcanhar e se estende pelo arco, piora nos primeiros passos da manhã e melhora ao caminhar. Mas dor só no meio do arco, com queimação ou formigamento, ou dor no lado interno com queda do arco, aponta para outras causas, como túnel do tarso e tendinite do tibial posterior.

Pé plano causa dor no arco?

Pode causar. No pé plano o arco cede a cada passo e sobrecarrega a fáscia plantar e o tendão tibial posterior, que doem com o esforço. Nem todo pé plano dói, e o tratamento é indicado quando há dor, cansaço precoce ou progressão da deformidade.

Qual palmilha é boa para dor no arco do pé?

Depende do formato do pé. No pé plano, palmilha com suporte do arco e controle do calcanhar; no pé cavo, palmilha de amortecimento com apoio distribuído; na fascite, elevação leve do calcanhar com suporte macio do arco. Palmilha comprada pronta ajuda em casos leves, e a sob medida é indicada quando a pisada exige correção específica.

Por que o arco do pé dói à noite?

Dor noturna no arco, com queimação, formigamento ou choque na planta, é típica da síndrome do túnel do tarso, a compressão do nervo tibial atrás do tornozelo. Diferente da fascite, que dói ao pisar, essa dor aparece em repouso e pode acordar a pessoa.

Quanto tempo demora para a dor no arco do pé passar?

A sobrecarga simples melhora em uma a duas semanas com ajuste de calçado e alongamento. Fascite e tendinite do tibial posterior costumam levar de seis semanas a alguns meses de tratamento. Quanto mais tempo a dor existe antes de começar o tratamento, mais lenta tende a ser a recuperação.