Dor no tornozelo é a queixa de desconforto na articulação que liga a perna ao pé, formada pela tíbia, pela fíbula e pelo tálus e envolvida por ligamentos e tendões. Ela pode começar de repente, depois de uma torção ou pancada, ou aparecer aos poucos, sem causa aparente, por excesso de uso, desgaste ou inflamação. Como cada estrutura ocupa um lugar definido ao redor do tornozelo, o ponto exato da dor é a pista mais útil para descobrir o que pode ser.
O que existe no tornozelo e por que dói
O tornozelo é uma dobradiça: o tálus, osso do pé, encaixa entre os dois maléolos, as pontas ósseas da tíbia (lado de dentro) e da fíbula (lado de fora). Ligamentos seguram esse encaixe: três no lado externo, um leque forte no lado interno (deltoide) e a sindesmose, que une tíbia e fíbula logo acima da junta. Por fora dos ligamentos passam os tendões que movem o pé: fibulares atrás do maléolo lateral, tibial posterior atrás do maléolo medial, tendão de Aquiles atrás e os extensores na frente. Cada uma dessas estruturas pode ser a origem da dor.
Causas de dor no tornozelo por localização
Dor na lateral do tornozelo (lado de fora)
É a região mais afetada. Dor abaixo e na frente do maléolo lateral depois de uma torção é lesão dos ligamentos externos, a entorse de tornozelo comum, que varia de um estiramento leve a uma ruptura completa. Se a dor é atrás do maléolo, segue o trajeto dos tendões e piora ao virar o pé para fora contra resistência, a suspeita recai sobre a tenossinovite dos tendões fibulares. Dor lateral que persiste meses depois de uma torção, com sensação de falseio, sugere instabilidade crônica ou lesão da cartilagem do tálus.
Dor no lado interno do tornozelo
Atrás e abaixo do maléolo medial corre o tendão tibial posterior, responsável por sustentar o arco. Quando ele inflama ou se degenera, a dor é interna, piora ao ficar na ponta dos pés e o arco pode começar a ceder, como se o pé "achatasse" de um lado só. Esse quadro, a tenossinovite do tibial posterior, é frequente em mulheres acima dos 40 anos e em pessoas com pé plano. Dor interna também pode vir de lesão do ligamento deltoide em torções com o pé virado para fora e da síndrome do túnel do tarso, em que o nervo tibial é comprimido e causa queimação e formigamento na planta.
Dor atrás do tornozelo
Dor na parte de trás, acima do calcanhar, aponta para o tendão de Aquiles: a tendinite do tendão de Aquiles dá dor e rigidez matinal que melhoram ao aquecer e voltam após o exercício. Dor profunda atrás do tornozelo ao ficar na ponta dos pés, comum em bailarinos e jogadores de futebol, pode ser impacto posterior por um ossinho extra, o os trigonum. Dor súbita, com sensação de pedrada na panturrilha, é o sinal clássico de ruptura do Aquiles.
Dor na frente do tornozelo
Dor na dobra anterior ao agachar, subir escadas ou levantar o pé sugere impacto anterior, em que pequenos esporões da tíbia e do tálus se chocam, ou artrose da articulação. Inchaço na frente com rigidez pela manhã também é o padrão das artrites inflamatórias. Dor anterior logo acima da junta, depois de uma torção com rotação, pode ser lesão da sindesmose, a chamada entorse alta, que demora mais para curar.
Dor difusa, em todo o tornozelo
Quando dói em volta inteira, com inchaço e calor, as hipóteses são artrite (gota, artrite reumatoide, artrite reativa), infecção ou artrose avançada. Gota costuma começar à noite, com dor intensa ao mínimo toque e vermelhidão. Febre associada exige atendimento imediato.
Principais causas resumidas
| Causa | Como começa | Características |
|---|---|---|
| Entorse | Torção súbita | Dor e inchaço lateral, às vezes roxo, dificuldade para apoiar |
| Tendinite | Gradual, após aumento de atividade | Dor no trajeto do tendão, piora com o movimento específico |
| Artrose | Gradual, anos após fratura ou entorses | Rigidez matinal, dor anterior, perda de movimento |
| Artrite inflamatória | Crises, às vezes à noite | Calor, vermelhidão, inchaço difuso, pode atingir outras juntas |
| Impacto | Gradual, em esportistas | Dor na frente ao agachar ou atrás na ponta dos pés |
| Fratura | Trauma | Dor óssea intensa, incapacidade de apoiar, deformidade possível |
Como o diagnóstico é feito
A consulta começa pela história: como a dor começou, onde dói exatamente, o que piora e o que melhora, se houve torção, se há episódios de falseio ou travamento, se outras articulações doem. No exame físico, a ortopedista palpa cada ligamento, tendão e margem óssea, testa a estabilidade com manobras específicas, avalia a força de cada grupo muscular e observa a marcha e o alinhamento do pé em carga.
A radiografia em pé é o exame inicial quando há trauma, suspeita de artrose ou de impacto. O ultrassom é ótimo para tendões e permite exame dinâmico. A ressonância magnética detalha ligamentos, cartilagem, osso subcondral e tendões quando o quadro persiste ou quando se planeja cirurgia. Exames de sangue entram na suspeita de artrite inflamatória ou infecção. Se o tornozelo está inchado além de dolorido, a página sobre tornozelo inchado explica as causas locais e as que vêm do resto do corpo.
Tratamento da dor no tornozelo
Medidas iniciais
Nas primeiras 48 a 72 horas de uma dor aguda, repouso relativo, gelo, compressão e elevação reduzem o inchaço. Analgésicos comuns controlam a dor; anti-inflamatórios podem ser usados por poucos dias se não houver contraindicação. Imobilização com bota ou tala protege lesões ligamentares e tendíneas enquanto cicatrizam.
Fisioterapia
É a base do tratamento da maioria das causas. Nas entorses, recupera mobilidade, força dos fibulares e equilíbrio, prevenindo novas torções. Nas tendinites, os exercícios de carga progressiva remodelam o tendão. Na artrose e no impacto, melhora a mobilidade e distribui melhor a carga.
Órteses, palmilhas e calçado
Tornozeleiras estabilizam em esportes; palmilhas corrigem a pisada que sobrecarrega o tibial posterior ou os fibulares; calçado com contraforte firme e leve salto alivia o Aquiles.
Infiltração
Em artrose, artrite e algumas tendinites, a infiltração guiada por ultrassom de corticoide ou de ácido hialurônico pode reduzir a dor por semanas a meses, permitindo a reabilitação. É um recurso dentro de um plano, não uma solução isolada.
Cirurgia
É considerada quando o tratamento conservador bem feito falha: reconstrução de ligamentos na instabilidade crônica, artroscopia para impacto, corpos livres e lesões de cartilagem, reparo de tendões rompidos ou degenerados e, em artrose avançada, artrodese ou prótese. A indicação é sempre individual.
Não ignore a dor que não melhora. Uma entorse que continua doendo depois de seis semanas, uma tendinite que não cede com repouso ou um tornozelo que falha com frequência são sinais de que algo não cicatrizou como deveria. Quanto antes a causa é definida, menor a chance de lesão de cartilagem e artrose no futuro.
Para pacientes fora de Florianópolis, a teleconsulta ortopédica permite analisar exames, orientar o tratamento inicial e decidir se há necessidade de avaliação presencial.
Prevenção
- Aumentar o volume de treino aos poucos, no máximo 10% por semana.
- Alongar a panturrilha diariamente e fortalecer os músculos do tornozelo.
- Treinar equilíbrio em um pé só, principalmente depois de qualquer entorse.
- Trocar tênis gastos e usar calçado adequado ao terreno e ao esporte.
- Tratar doenças como gota e artrite reumatoide com o reumatologista para evitar danos à articulação.
Perguntas frequentes sobre dor no tornozelo
O que pode ser dor no tornozelo sem ter torcido?
As causas mais comuns sem trauma são tendinites por excesso de uso (fibulares, tibial posterior, Aquiles), artrose em quem já teve fraturas ou entorses antigas, artrites inflamatórias como gota e artrite reumatoide, e impacto ósseo na frente do tornozelo em esportistas. Dor que surge do nada e persiste por mais de duas semanas merece avaliação.
Como saber se a dor no tornozelo é grave?
Sinais de alerta: não conseguir apoiar o pé, deformidade visível, inchaço grande e imediato após trauma, dor ao apertar a ponta dos ossos do tornozelo, febre com vermelhidão, dor noturna que acorda e formigamento ou perda de força. Nesses casos a avaliação deve ser no mesmo dia.
Dor no tornozelo pode ser artrose?
Pode, principalmente em quem já fraturou o tornozelo ou torceu muitas vezes. A artrose do tornozelo causa dor na frente da articulação, rigidez pela manhã e após repouso, inchaço com o uso e perda gradual do movimento de levantar o pé. A radiografia com carga confirma.
Quanto tempo dura uma dor no tornozelo?
Depende da causa. Uma entorse leve melhora em uma a duas semanas; tendinites costumam levar de seis a doze semanas com tratamento adequado; artrose e artrite são condições crônicas, com períodos de crise e de calma. Dor que não melhora em duas semanas com repouso relativo e gelo deve ser investigada.
Que médico trata dor no tornozelo?
O ortopedista, de preferência com especialização em cirurgia do pé e tornozelo, que é a área que estuda em detalhe os ligamentos, tendões e articulações dessa região. Quando a causa é inflamatória, como gota ou artrite reumatoide, o acompanhamento é feito em conjunto com o reumatologista.