Tenossinovite é a inflamação da bainha sinovial, o tubo fino cheio de líquido que envolve certos tendões e permite que eles deslizem sem atrito. No pé e no tornozelo, quase todos os tendões que cruzam a articulação têm uma bainha dessas, e por isso a tenossinovite no pé é frequente: ela acomete o tibial anterior, na frente do tornozelo, o tibial posterior, atrás do osso interno, os fibulares, atrás do osso externo, e os tendões que movem os dedos.
O que significa tenossinovite e como ela difere da tendinite
O tendão é a corda que liga o músculo ao osso. Nos pontos em que ele faz curva ou passa sob um retináculo, uma faixa que o prende junto ao osso, ele é envolvido por uma bainha sinovial, que funciona como uma luva lubrificada. Quando essa luva sofre atrito repetido, trauma ou um processo inflamatório do corpo, ela produz líquido em excesso, engrossa e passa a apertar o tendão. Isso é a tenossinovite.
Na tendinite, ou melhor, na tendinopatia, o problema está nas fibras do próprio tendão, que acumulam microlesões e perdem organização. A diferença prática é que a tenossinovite costuma mostrar inchaço mais evidente em forma de cordão, crepitação e resposta melhor às medidas anti-inflamatórias e à imobilização curta. No pé, a forma mais estudada é a tenossinovite do tibial posterior, que quando não tratada leva ao pé plano do adulto.
Tenossinovite do tibial anterior
O tibial anterior é o músculo que se sente na frente da canela, ao lado do osso. Seu tendão desce pela frente do tornozelo, passa sob os retináculos que o seguram e se prende no primeiro cuneiforme e na base do primeiro metatarso, na parte interna do meio do pé. Ele tem duas funções a cada passo: levantar o pé para a ponta não arrastar no chão e, logo depois que o calcanhar toca o solo, frear a descida do pé de forma controlada.
A tenossinovite do tibial anterior aparece com mais frequência em quem faz caminhadas ou corridas longas, principalmente em descidas, onde o tendão freia o pé a cada passada, em quem calça botas ou tênis com cadarço apertado demais sobre o peito do pé, que comprime a bainha contra o osso. Os sintomas são:
- Dor na frente do tornozelo e no peito do pé, que piora ao levantar o pé contra resistência e ao descer escadas ou ladeiras.
- Inchaço alongado sobre o trajeto do tendão, visível quando se compara com o outro pé.
- Crepitação, uma sensação de areia ou estalo fino, ao mover o pé para cima e para baixo com a mão sobre a região.
- Em casos avançados, fraqueza para levantar o pé e tendência a tropeçar.
Esse quadro é vizinho de outras causas de dor na parte da frente da perna e do tornozelo. Quando a dor fica na borda interna da canela e não no tendão, a suspeita é de canelite, a sobrecarga da tíbia. As causas da região estão reunidas na página sobre dor no tornozelo na frente, atrás e nos lados.
Outros tendões do pé que inflamam
| Tendão | Onde dói | Situação típica |
|---|---|---|
| Tibial anterior | Frente do tornozelo e peito do pé | Caminhadas em descida, cadarço apertado, aumento de escadas |
| Tibial posterior | Atrás e abaixo do osso interno do tornozelo | Pé plano, mulher acima de quarenta anos, sobrepeso |
| Fibulares | Atrás e abaixo do osso externo do tornozelo | Entorses repetidos, pé cavo, instabilidade lateral |
A inflamação dos tendões do lado externo do tornozelo, que acompanha os entorses de repetição, tem página própria sobre a tenossinovite dos fibulares.
Causas e fatores de risco
- Sobrecarga mecânica: aumento súbito de volume de caminhada, corrida, escadas ou saltos; retorno à atividade sem preparo.
- Atrito externo: cadarço, fivela ou cano de bota que comprime a bainha contra o osso.
- Alterações do formato do pé: pé plano sobrecarrega o tibial posterior; pé cavo, os fibulares; os dois podem sobrecarregar o tibial anterior.
- Trauma: entorse, pancada direta ou fratura próxima ao trajeto do tendão.
- Doenças reumáticas, como artrite reumatoide, espondiloartrites e gota, que inflamam a membrana sinovial de várias bainhas ao mesmo tempo. Tenossinovite em vários tendões, nos dois pés, ou acompanhada de dor em outras articulações, pede investigação reumatológica.
- Infecção da bainha, rara, após ferimento penetrante ou em pessoas com imunidade baixa. É uma urgência.
Como o diagnóstico é feito
A história e o exame físico costumam localizar o tendão afetado: a dor é reproduzida ao pressionar o trajeto e ao contrair o músculo contra resistência, o inchaço segue o tendão e a crepitação pode ser sentida. O ultrassom é o exame mais útil, porque mostra o líquido ao redor do tendão, o espessamento da bainha, o estado das fibras e permite comparar com o outro lado em tempo real; também guia a infiltração quando ela é indicada. A ressonância magnética é pedida em casos que não melhoram, quando se suspeita de ruptura parcial ou quando há dúvida sobre a origem da dor.
Tratamento da tenossinovite no pé
A maioria dos casos de origem mecânica melhora em três a seis semanas com um conjunto simples de medidas:
- Repouso relativo: reduzir a atividade que provocou a dor, sem imobilizar por completo, e trocar por exercícios sem impacto.
- Gelo nas fases de inchaço.
- Corrigir a fonte de atrito: afrouxar o cadarço na altura do tendão, usar amarração que pule o ilhós sobre o ponto dolorido, trocar a bota com cano rígido.
- Imobilização curta com bota ou tala por uma a duas semanas nos casos mais dolorosos, seguida de retirada gradual para não enfraquecer o tendão.
- Anti-inflamatórios por período curto, com orientação médica, em comprimido ou gel.
- Fisioterapia: alongamento da panturrilha, fortalecimento progressivo do tendão afetado e dos músculos vizinhos, treino de equilíbrio e, quando necessário, correção da marcha.
- Palmilhas quando o formato do pé contribui para a sobrecarga; o tibial anterior e o posterior são aliviados por apoio do arco, e os fibulares, por cunha lateral. A indicação é individual e está detalhada na página sobre palmilhas personalizadas para tendões do pé.
Infiltração e cirurgia
Quando a dor e o inchaço persistem por mais de seis a oito semanas apesar das medidas acima, uma infiltração de corticoide dentro da bainha, guiada por ultrassom, pode desinflamar a membrana. A aplicação é feita ao redor do tendão, nunca dentro dele, e com número limitado de vezes, porque o corticoide repetido enfraquece as fibras. No tibial posterior e no tendão de Aquiles essa opção é evitada pelo risco de ruptura. A cirurgia, chamada tenossinovectomia, retira a bainha inflamada e o tecido ao redor; é reservada a casos crônicos sem resposta, a doenças reumáticas com risco de ruptura e às infecções, que exigem limpeza urgente.
Tenossinovite com pele vermelha e quente, febre ou dor intensa que impede mover o pé, principalmente depois de um ferimento, pode ser infecção da bainha do tendão. Procure atendimento no mesmo dia: a infecção destrói o tendão em poucos dias se não for drenada.
Recuperação e prevenção
O retorno à atividade é gradual, aumentando volume antes de intensidade, e com atenção a sinais de recaída: inchaço no fim do dia e dor que persiste até a manhã seguinte indicam que o passo foi grande demais. Manter o fortalecimento da panturrilha e dos músculos da perna, alongar antes e depois do exercício, usar calçado com peito do pé confortável e trocar o tênis gasto são as medidas que mais evitam recorrências. Pacientes de outras cidades podem realizar a avaliação inicial e os retornos por teleconsulta com análise do ultrassom.
Perguntas frequentes sobre tenossinovite no pé
O que significa tenossinovite?
Tenossinovite significa inflamação da bainha sinovial, o tubo fino que envolve o tendão e produz o líquido que o lubrifica. Quando essa bainha inflama, ela produz líquido em excesso e engrossa, e o tendão passa a deslizar com atrito, causando dor, inchaço em forma de cordão e, às vezes, crepitação.
Qual é a diferença entre tendinite e tenossinovite?
Na tendinite, o problema está nas fibras do próprio tendão, que sofrem microlesões e degeneração. Na tenossinovite, o problema está na bainha que o envolve. As duas podem ocorrer juntas e os sintomas se parecem, mas a tenossinovite costuma ter inchaço mais evidente ao longo do tendão e responde melhor às medidas anti-inflamatórias.
Onde fica o tendão tibial anterior e para que ele serve?
O tibial anterior é o músculo da frente da canela. Seu tendão desce pela frente do tornozelo e se prende na parte interna do meio do pé. Ele levanta o pé e a ponta dos dedos a cada passo e segura o pé quando ele desce ao chão. Por isso a sua tenossinovite dói na frente do tornozelo ao caminhar, subir escadas e correr em descida.
Tenossinovite no pé tem cura?
A maioria dos casos de tenossinovite por sobrecarga melhora por completo em algumas semanas com repouso relativo, gelo, ajuste do calçado e fisioterapia. Quando a causa é uma doença reumática ou uma infecção, o tratamento da causa é o que define a evolução, e o acompanhamento costuma ser mais longo.
Quando a tenossinovite precisa de cirurgia?
Raramente. A cirurgia é considerada quando a bainha continua inflamada e espessada depois de meses de tratamento conservador e infiltração, quando há tecido inflamatório de doença reumática que ameaça romper o tendão ou quando existe infecção dentro da bainha, que exige limpeza cirúrgica urgente.